19 de outubro de 2006

ELO À DISTÂNCIA: VOCÊ É CAPAZ DE TER E MANTER?


Em relacionamento afetivo, geralmente, aspira-se atingir o amor e, este, intrinsecamente, traz consigo o elo, a ligação. Pergunto-me: há possibilidade de ter e manter um elo à distância? Esses meus questionamentos me deixam frenético, porém adoro-os já que me incentivam a raciocinar e buscar um entendimento sobre determinado assunto, ainda que não seja absoluto. Mas o que é absoluto nessa vida hein? Deixa pra lá...

Basta conversarmos cerca de vinte minutos com as pessoas (refiro-me as pessoas que temos certa intimidade ou, às vezes, esse elemento não é tão necessário) que involuntariamente emanam histórias de amor resolvidos e, sobretudo, os mal resolvidos.

Percebo que cada um traz guardadinho dentro de si instantes e momentos vividos, sejam eles alegres ou sejam eles tristes, com ex-namorados, ficantes, aventuras... Enfim, momentos curtidos em qualquer tipo de relacionamento que possibilite a aproximação de dois seres. Vejo que a nostalgia bate forte quando ultrapassamos o limite etílico. Faz parte...

A cada palavra expressada, a cada instante vivido comentado, a cada situação hilária, inusitada e triste, entendo, sinto, vejo e vivencio a relativa banalização e "abertura de portas" de alguns em determinados setores que acredito serem extremamente importantes para a valorização do amor. Muitos devem se perguntar nesse momento: como o Junior Lopes, pessoa aparentemente liberal, pode escrever algo com esse conteúdo? Sou liberal sim, mas gosto de preservar determinados valores morais.

Ouço muita gente querendo atingir o amor, falando de amor, dizendo estar amando - refiro-me àquele amor do relacionamento afetivo comentado acima. Percebo que o amor não se atinge, flui naturalmente (por mais que a pessoa seja bacana não adianta forçar), se conquista, sente-se... Mas, questiono-me novamente: como podemos querer conquistar ou sentir o amor se etapas valorosíssimas são habitualmente queimadas? Não preciso ser mais claro, pois acredito que assim como eu você já deve ter queimado etapas basilares na construção de um relacionamento transformando, assim, o que poderia ser perene em algo bem fugaz.

Podem até me achar ou chamar de ortodoxo, tradicional, conservador... Contudo, acredito que as coisas em seu determinado tempo e com a preservação de seu valores são bem mais gostosas de serem curtidas e apreciadas, além da vontade inconciente que surge de "segurá-las" para si.

Interpreto que essa "queima de etapas" é motivada pela ânsia que cada um traz consigo de encontrar alguém bacana ou do jeito idealizado para compatilhar a vida. Se as pessoas soubessem que tanto a ânsia quanto a queima de etapas faz um mal danado... Consequência de tudo isso: sofrimento por uma expectativa não atendida. Essas nossas expectativas é que nos quebram.

Sim, voltemos ao nosso assunto. Começei a falar de amor e vi que fugi do assunto em xeque. Então, há ou não possibilidade de ter e manter um elo à distância? Já conheci pessoas que são capazes e dizem que têm e mantém uma relação à distância; outras dizem o contrário, com o argumento de ser bem difícil a preservação e sustentação quando a ausência física é intensa. Como cada pessoa é um universo, logo possui a sua própria maneira de encarar as coisas vou expor o que penso sobre esse questionamento.

Acredito na possibilidade de existir um elo afetivo e sincero entre as pessoas, mesmo havendo a distância física. Não sei se observou com o meu "mesmo a distância" o quanto para mim é importante a presença física de minha parceira, mas não descarto a possibilidade de ter algo à distância. Sei que aqueles que mantém esse tipo de relação correm vários "riscos", mas vejo que nada é maior que a carência e o assédio. Enfim, acredito que seria capaz de ter uma relação à distância, mas manter...
Acredito que nesses relacionamentos à distância a verdade, algo primordial em qualquer situação, deve ser um elemento mais do que elevado.

Boa-sorte para os amantes à distância.