22 de fevereiro de 2011

Carta a um nascituro

Faz pouco tempo que o tempo tem passado bem lentamente para mim. A ansiedade vem ocasionando a inversão da percepção de futuro. Literalmente um estado de êxtase, bem diferente de muitos vividos, se achegou até mim. A razão nada mais é do que a sua presença em nossas vidas, filho(a). Mesmo que ainda intangível fisicamente, é incontroverso e inevitavel que farei parte de você, assim como você já faz parte de mim.

Ao medir apenas 1,5 cm de altura, você não imagina os efeitos colossais e colaterais gerados e repercutidos neste pai embasbacado que, por vezes ao aparentar frieza, se desmancha calorosamente ao primeiro pensamento de tê-lo(a) aos braços. Semelhante aos marinheiros de primeira viagem, acerco-me da técnica para buscar pôr em prática no momento apropriado de sua chegada.

O amor... Ah, o amor, filho(a)... Observo que as diversas linhas dedicadas no pretérito, com o fito ousado de conseguir registrá-lo em sua verdadeira essência, apagaram-se ao notar que amor é o que sinto agora. É além de mim. Bem mais além. É involuntário, é instintivo, é impróprio, é sui generis.

Filho(a), paralelo ao sentimento de paternidade, o qual germina de forma robusta, há a responsabilidade de educá-lo(a), instruí-lo(a) e orientá-lo(a), e desta jamais me esquivarei, haja vista que, junto comigo, ao meu lado, bem próximo mesmo, está uma mulher, amante, guerreira e pessoa maravilhosa: sua mainha Geysa.

Ao escutar as primeiras batidas de seu coração, minhas pernas ficaram inquietas, meus olhos ficaram marejados e a vontade de lhe dizer "vem que papai está aqui!" foi imensa. Tenho certeza de que você sabe disso. Aliás, tenho certeza de que sentiu isso.

Pois bem filho(a), em breve você estará aqui ao nosso lado e certamente os registros de sua passagem serão carinhosamente compartilhados com todos aqueles que desde já te amam.

De seu agora e sempre pai.

Te amo, hoje, ontem, amanhã e sempre.