Sábado à tarde, lendo e respondendo e-mails, espiando os artistas entrevistados no programa Estrelas, acesso o sítio da globo.com e deparo-me com a notícia: "mãe de aluna molestada: 'vida está destruída'" (http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/posts/2010/10/30/mae-da-aluna-molestada-por-professora-revela-detalhes-do-drama-336929.asp).
A notícia foi tão instigante que fiquei curioso para saber o que tinha levado àquela mãe a manifestar tamanha decepção. Iniciei a leitura da reportagem com um propósito, todavia, ao final acabei sendo levado a ter uma conclusão prévia, mas não definitiva, sobre o tema palpitante da concessão legal para a criação de crianças por casais homossexuais. Mas o que isso tem a ver com a notícia? A meu sentir, muito, e isso ficará patente.
A reportagem põe em destaque a irresignação de uma mãe que, segundo suas declarações, teria elementos suficientes para provar que uma professora e sua filha, de 09 (nove) anos de idade, mantiveram uma relação amorosa. À primeira vista, observa-se que a insatisfação de uma mãe ao perceber que um adulto teria seduzido, aproveitado e molestado sua filha parece ser bem natural, razão pela qual merece sim a difusão nos meios de comunicação, até porque esse tipo de intervenção indireta serve de exemplo e/ou, quiça, de circunstância inibitória ao exercício de lamentável conduta perpetrada pelos pedófilos.
É oportuno salientar que a pedofilia hodiernamente está sendo combatida, seja pelas instituições do Estado, seja pelos próprios cidadãos que intercedem via denúncia (Ligue 100). Deste modo, é fato que não se pode aquiescer com tão desprezível comportamento, por isso, é dever de cada um cooperar para a diminuição desses casos repugnantes e massacradores da dignidade e da moral de nossas crianças.
Pois bem. Mas o que isso tem a ver com a ilação referente à criação de crianças por casais homossexuais? Presumo não haver nenhuma ligação direta, isso porque, em minha humilde análise de profissional da área de humanas, a pedofilia é uma doença psicológica que requer um tratamento contínuo e um acompanhamento integral, e, sendo assim, a sua "transmissão" não decorreria da educação dada por um casal de homossexuais. No entanto, embora possa parecer contraditório, ou, para os mais melindrosos, uma clara manifestação de preconceito, acredito que o ambiente familiar constituído somente por homens ou mulheres, exercendo papéis de cunho masculino e feminino (marido e mulher), influencia sobremaneira as futuras posturas, avaliações e comportamentos de uma criança, a qual aborve tudo aquilo que lhe é apresentado, já que está em processo de formação intelectual, moral, social e familiar.
É cabível ressaltar que a minha reserva não é em relação aos homossexuais, e sim a estrutura familiar que se busca implementar, a qual, a meu sentir, e alicerçado neste episódio, demonstra carecer de figuras elementares à formação da personalidade de uma criança, sujeitando-a a situações futuras indelicadas, as quais, inevitavelmente, compelirão ao casal homossexual a prestar as devidas explicações. Essa ponderação não tem cunho religioso, tampouco base científica que a sustente, mas, há sim, um conhecimento empírico do qual se extrai de modo flagrante a forma como a sociedade conduz as questões que exigem uma elevação espiritual diferenciada.
Portanto, essa ilação decorre de fatos expostos no final da reportagem, quando foram feitas perguntas relativas à estrutura familiar da criança supostamente abusada pela professora. A mãe declara que a criança não conhece o pai (ele não quis assumir a paternidade), que mora com a avó e com a sua companheira e que a criança tem conhecimento de que ela é "entendida" (homossexual) desde os seus 05 (cinco) anos de idade.
Ora, muito embora a mãe declare que desde os 05 (cinco) anos de idade a menor sabia que ela é "entendida" (a criança nessa idade tem capacidade de entender essa escolha da mãe?) e que condene a ação da professora (de fato é reprovável), será que jamais se questionou que a estrutura familiar apresentada à criança poderia motivar-lhe o interesse de fazer o mesmo? Não se trata de ser algo normal ou não, mas das influências, uma vez que o homem, em predominância, é produto de seu meio.
É difícil responder a contento e de modo certeiro o questionamento alhures, até porque envolve vários outros referenciais, fatores e valores que merecem e devem ser ponderados. Porém, atrevo-me a opinar que, se a suposta relação amorosa entre professora e filha fosse compreendida por esta como algo equivocado, proibido ou impróprio, acredito que a primeira atitude da menor seria a negativa ou não aceitação. Agora, como ela poderia repudiar a atitude da professora se dentro de sua casa observa que a sua mãe mantém uma relação que, em sua mente, apresenta-se idêntica ao que lhe foi proposto? Retirando-se o fator da idade entre professora e aluna, é óbvio que em nada a mãe poderia condenar a suposta relação havida entre elas, até porque não teria base para consolidar a sua argumentação.
Enfim, assunto complexo, outros argumentos poderiam ser esposadas, questões que não foram exauridas e que, pessoalmente, serviram para albergar um convencimento inicial, mas não definitivo, sobre um tema palpitante e que ainda encontra-se indefinido no âmbito legal. Porém, não poderia deixar de concluir que, embora a mãe condene a ação da professora (o que é realmente reprovável), acredito que seria o instante de sopesar as suas condutas, sobretudo porque, neste momento, a busca por reconstruir o íntimo de uma criança que se encontra envolvida com o manto da vergonha é medida mais do que urgente.
