15 de setembro de 2006

CONFLITOS INTERNOS
Como um imã, a cada dia percebo que tenho a força de atrair pessoas que necessitam de um alento, de um ouvido, desabafar, falar o que se passa internamente, expor o que lhes aflinge... Esses diálogos vão desde o que chamamos de situações/problemas efêmeros até assuntos extremamente delicados. Acredito que essa atração seja motivada pela atenção - mais uma vez constato que para conquistar um ser humano basta dar-lhe carinho e atenção - que direciono a todos aqueles que me circundam. Me sinto muito feliz quando percebo que fui capaz de ser o alento ou até mesmo contribuir para a mudança positiva de quem me procura para um bate-papo.
Ontem, me ocorreu um caso muito interessante dentre todos os que já passei, aliás, dos que já ouvi. Estava em uma festa na qual todos se divertiam. Bebíamos, curtíamos, porém no canto da casa encontrava-se uma pessoa que parecia não estar presente naquela brincadeira. Participava de tudo, mas discretamente. A tristeza era visível em seu olhar. Tudo bem, deixei pra lá. Talvez ela achasse melhor ficar sorrindo por fora (motivada pelo álcool) e buscasse ocultar o que era explícito para todos. Enfim, resolvi ficar na minha e não bancar o observador-salvador. Contudo, ao passo que me esquivei de tal situação suas amigas lhe chamavam a atenção para não agir e nem ficar daquela forma. O mais curioso é que ao final da festa toda aquela minha observação veio à tona quando fui o escolhido para deixá-la em casa. A caminho de sua casa ela começou a chorar. Fiquei espantado e sem reação, já que estávamos conversando sobre coisas alegres e diversas daquilo que futuramente saberia por sua boca. Ela pediu-me para parar o carro e conversar. Gelei nessa hora, pois já era tarde e sabia que era uma mulher compromissada. Não queria causar nenhum mal para mim tão pouco para ela, mas mesmo assim parei o carro em um local movimentado para conversarmos.
Como uma criança ao perder o melhor brinquedo, vi brotar de seus olhos densas lágrimas que, ao rolarem por seu rosto, deixavam rastros de decepção, agonia, incerteza, prisão, sofrimento... A cada palavra proferida me punha em sua situação. Cheguei a conclusão, mais uma vez, de que relacionamentos amorosos são enigmas que os próprios integrantes fazem questão de torná-los mais difíceis de se decifrar. A dor sentida por ela me fez observar que a que eu havia sentido no pretérito foi apenas um corte no dedo. Tanta dedicação, tanta resignação, tanta omissão, tanta submissão para obter, segundo as suas palavras, o não reconhecimento, a falta de consideração e de respeito daquele que a motivava a proceder de uma forma singular. É, ao passo que muitos buscam uma companhia fiel outros têm e não fazem jus ao que conquistaram. Nada melhor do que o tempo para colocar as coisas certas em seus devidos lugares.
Seguindo o famoso ditado "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher" mantive-me como um excelente ouvinte. Nada de conselhos ou direcionamentos, embora tenha sido instigado a dizê-los. A vida me ensinou que por melhor que seja a sua intenção para contribuir na manutenção de uma relação amorosa o melhor a fazer é só ouvir, pois só quem sabe da relação são os que a vivem. Ao melhorar o seu estado, deixei-a em casa e fui para minha. Sei que poderia ter contribuido mais, entretanto sei que dores são passageiras e realmente sabemos o que é melhor ou pior para nosso viver.
Conflitos internos todos temos e atravessamos. Dúvidas existem sobretudo naqueles que buscam algo, quase sempre os que desejam a melhoria. Somos o reflexo de nossas decisões e nada tão ligado à decisão do que a dúvida. A incerteza pode imperar, mas o melhor mesmo é estudar a alternativa mais oportuna para que não vivamos enternamente em um conflito.

4 de setembro de 2006

VOAR É SEMPRE BOM.

Igualmente a um pássaro, que durante uma grande jornada ficou engaiolado e conseguiu libertar-se das barreiras impeditivas, vou batendo as minhas asas fortemente por ares que outrora planava tranquilo. A sensação de reconquistar o espaço no qual temos a consciência de ser perito é fascinante, sobretudo, quando se tem apoio e se sente estar bem psicologicamente.

Constatei que não existem óbices maiores para o desligamento de coisas nocivas, seja do pretérito, seja do presente, do que as limitações que nossos pensamentos impõem sobre nosso eu. Culpas, omissões, medos, frustrações, rancores, decepções... Devemos frequentemente realizar o 5S interno e deixar nossa cabeça limpa e organizada para a próxima cena de nossa vida. Quebrar os elos das algemas que bloqueiam a marcha rumo ao progresso e ao bem-estar é mais do que uma iniciativa de coragem é uma questão de atitude, autopreservação e sobrevivência.

Ontem, assisti um filme chamado Quase deuses. Havia um bom tempo que não assistia uma história com tantas mensagens positivas e capaz de retratar o que ocorre no cotidiano e, por vezes, fazemos questão de colocar vendas. Um misto de preconceito e enfrentamento, superação e oportunidade, humildade e arrogância, gratidão e ingratidão, cansaço e persistência... Muitas lições nobres foram por mim assimiladas. O bom mesmo é conseguir colocá-las em prática.

A energia e a motivação recebidas após o término da película foram tão robustas que prontamente busquei “alçar vôo novamente”. Mas em quê? Parafraseando uma amiga "a maioria das pessoas é tão feliz quanto decide ser" e lembrando de um e-mail, sinto que somos hoje fruto de nossas decisões. Nada de interpretação dogmática, pois acredito na relatividade, porém não há como negar a predominância das coisas.

Voando estou. Pareço uma ave que observou a sua capacidade de locomoção e “brinca” com grande habilidade. Voar faz bem, principalmente quando estamos nos sentido completos tanto psicologicamente quanto emocionalmente. Haja aeroporto para mim agora.