Gente, não se trata de uma paisagem europeia, mas a linda tela formada por trás de nós é parte das belezas naturais que o Brasil tem por todo o seu território.
Seguindo caminho contrário do carnaval de praxe, eu e minha esposa fomos em direção à Gramado/RS. Para mim tudo era novidade, pois tratava-se de minha primeira vez na cidade, entretanto, para minha esposa, era uma forma de consolidar as lembranças e memórias experimentadas em viagem anterior.
Pois bem, os três dias de estada em Gramado foram repletos de surpresas, encanto e romantismo. Jamais havia visitado uma cidade tão bela, tranquila, organizada e sem qualquer stress. Juro que imaginava uma cidade maravilhosa, mas não tanto quanto senti ao tempo que lá estive. Inúmeros são os programas a serem feitos no decorrer do dia, os quais vão de visitar e explorar belezas naturais, passam por admirar um mini mundo, a fábrica a vapor, o museu de carros antigos e culminar na degustação de vinhos, espumantes, champagnes, chocolates, comidas típicas italiana, alemã e gaúcha.
Em sendo assim, a habilidade e riqueza de quem escreve se apresentam na possibilidade de materializar o que se tem na memória da forma mais real possível, levando ao leitor as sensações experimentadas de maneira a transpô-lo ao fato propriamente dito. No meu caso, sinto que a plena capacidade para esse feito é algo exíguo, porém, ousado que sou, e como forma de guardar para o futuro esses memoráveis instantes, abaixo destaco pontos que merecem ser divididos:
1. Pousada Papoulas
O local de nossa estada representou muito bem o nome de batismo do empreendimento. A flor papoula era usada pelos sumérios para combater problemas e na Mesopotâmia era destinada à cura de insônia, algo que certamente não sentimos, uma vez que o cansaço de um dia puxado aliado ao conforto simples de uma pousada interiorana favoreceram um sono infantil.
Para recompor as energias gastas no dia anterior e, também, das horas de sono suplantadas, nada melhor do que um café da manhã composto de sucos, café, leite, omelete, molho de salsicha, bolos diversos, pasteizinhos, iogurte, pães, queijo, presunto, mortadela, margarina, geleia, etc. Achou pouco? Muito ou pouco, recomendo essa pousada simples e aconchegante.
2. Churrascaria Garfo e Bombacha
Pense num local alegre e descontraído? Pense numa música regional contagiante tocada por uma banda excelente? Imagine danças variadas e apresentadas eximiamente por garçons-dançarinos? Imagine um buffet diverso e carnes deliciosas? Sucintamente essa é a Garfo e Bombacha.
Reiterando o que já se sabe, essa churrascaria ressalta o bairrismo dos gaúchos fazendo questão de apresentar, em meio as danças regionais, a sua história. O ritmo vanerão é o destaque da noite, podendo se notar outros ritmos, mas nada se compara as apresentações de danças regionais, perfeitamente operadas pelos garçons-dançarinos. Estes, se homens, eram chamados de peões, se mulheres, eram chamadas de prendas. O que não faltou foi peão com prenda no salão.
No tocante às bebidas e comidas, apreciei uma cerveja Polar, original do Rio Grande do Sul, e diversos tipos de carnes, ressaltando-se o sabor e o modo de preparado da costela assada na vala, método "patenteado" pelos gaúchos.
3. Tour Uva e Vinho
Iniciamos o tour em Gramado rumo à Carlos Barbosa, cidade na qual está instalada a primeira fábrica da Tramontina no Brasil. Notamos que a economia da cidade é dependente dos empregos gerados e da receita trazida pela fábrica, sendo que a Tramontina não deixa de investir bastante em seus colaboradores e na cidade. É pertinente destacar que a Tramontina patrocina o time ACBF (Associação Carlos Barbosa de Futsal), um esporte bem aceito pelos habitantes da cidade. Aproveitamos a oportunidade e fomos visitar a loja da Tramontina. Fizemos a festa.
No roteiro estava programada uma visita à Peterlongo, em Garibaldi, primeira vinícola do Brasil, a qual é a única do país a ter o direito de definir o seu champagne de champagne e não de espumante como devem fazer os concorrentes remanescentes. Não se trata de exclusividade e sim de direito adquirido em razão de, à época da requisição de exclusividade por parte da região de Champagne na França, já aplicá-lo como denominação de seu produto. Algo bem curioso é que o filho do fundador da Peterlongo, Senhor Armando Peterlongo, foi o primeiro empregador do país a registrar a carteira de trabalho de uma mulher. Entre essas e outras ações de vanguarda, a Peterlongo produz e possui saborosos champagnes e vinhos que podem ser apreciados comedida ou desmedidamente. Saúde!
Após o almoço, fomos à vinícola Miolo, em Bento Gonçalves. Antes de chegarmos ao nosso destino, passamos defronte a diversos parreirais, ao SPA do vinho, local este que, sem dúvida, nos encantou com tamanha beleza. Na sede da Miolo fizemos um passeio pela fábrica culminado na tão esperada degustação de vinhos. Sensacional!
Retornamos à Carlos Barbosa para fazermos o passeio de Maria Fumaça. Dentro dos vagões da Maria Fumaça fomos motivados a dançar com um “gaiteiro” típico italiano, observarmos a mini peça de dois artistas que faziam alusão a uma relação amorosa um tanto quanto depreciada, dançamos e cantamos com um coral de senhores e senhoras, acompanhamos o ritmo contagiante de um grupo de gaúchos, sem falar nas duas paradas para a degustação de vinho e/ou espumante fornecidos pela Miolo. Parada final em Bento Gonçalves e retornamos à Gramado.
À noite, fomos satisfazer a vontade de comer um fondue. Na verdade não é um fondue e sim uma sequência de fondue, a qual é iniciada por queijo e pão, mediada por carnes e 15 tipos de molhos e finalizada por chocolate e 09 tipos de frutas. Huuuum! Foi algo original para mim, mas o que me chamou mais atenção não foi o sabor do fondue e sim a forma como é servido, sobretudo em relação às carnes. Jamais imaginei que “tivesse de fazer um churrasco” para poder comer um fondue. Outro coisa que não poderia deixar de comentar é a excelente música, ou melhor, o primoroso músico que tocou seu teclado e cantou sucessos para deixar a noite bem mais suave e romântica.
4. Tour das Hortênsias
As belezas das cidades de Gramado e Canela são múltiplas e merecem reverência. Fora da região central de Canela, visitamos o Mundo a Vapor, um lugar que, de entrada, fica fácil de notar a criatividade de seus idealizadores ao observar uma imensa locomotiva, a qual faz referência a um acidente que ocorreu na Europa. Lá dentro, somos surpreendidos com a utilização do vapor em vários âmbitos estratégicos da sociedade antiga e moderna, podendo levar como lembrança, além de diversas fotos, ou um mini tijolo ou uma mini folha de papel reciclado feitos por mini máquinas a vapor.
Partindo em direção ao centro da cidade de Canela, apreciamos a Catedral de Pedra, Igreja Católica de arquitetura gótica inglesa e com uma fachada de 65m de altura. Ao redor da Igreja existem diversos comércios, os quais vão desde a venda de produtos exotéricos até uma simples lanchonete.
Seguindo adiante, chegamos ao Parque do Caracol, local onde se vê uma linda cascata (batizada de Caracol) que, de queda livre, percorre 131m, sendo formada por rochas basálticas, compondo uma paisagem de rara beleza. Dentro do Parque há diversas atrações como mirante, restaurante, área de lazer, feiras de artesanato, trilhas ecológicas autointerpretativas e uma escada com incríveis 927 degraus até a base da cascata. Não se pode deixar de falar do teleférico, o qual nos permite a sensação de “voar” lentamente sobre a vegetação ao redor da cascata e simultaneamente apreciar o quão bela e divina é a cascata do Caracol vista do alto.
Após recebermos a energia da natureza, fomos visitar uma casa típica alemã, onde notamos que seus cômodos conservam as mesmas características do pretérito. Depois de subir escadas e explorar cada canto da casa, finalizamos a visita apreciando um apfelstrudel, ou strudel de maçã, como é mais conhecido.
Depois do almoço, o qual foi servido por um restaurante típico italiano que tem como especialidade o primo canto, ou seja, frango com tempo de vida suficiente até o seu primeiro canto (imagine só né?), fomos ao Lago Negro, ponto turístico municipal, o qual foi criado artificialmente por um alemão e que atualmente conserva características bem naturais. Seu diâmetro é de 800m, sugerindo uma caminhada/corrida bem agradável. Contudo, há a possibilidade de explorá-lo por meio dos pedalinhos, permitindo, assim, notar a presença de casarões entorno do lago e a convivência pacífica do homem com a natureza por meio dos patos e gansos que ficam soltos à margem do lago.
Entorpecidos pela tranquilidade do Lago Negro, fomos agitar os corações no museu do carro ou, como mais conhecido, Hollywood Dream Cars. Na entrada notamos a presença de uma Ferrari e outros tipos de carros esportivos estacionados ao lado do museu. Por curiosidade fomos observá-la (na verdade babá-la) e terminamos por descobrir que se tivéssemos interessados em dar uma voltinha de 8 km como passageiro naquela Ferrari deveríamos desembolsar R$ 90,00. Agora, se não tivéssemos satisfeitos em andar como passageiro, poderíamos dirigi-la, pagando R$ 480,00. Ficou para a próxima vez... Dentro do museu há diversos tipos de carros antigos, sem esquecer as motos, um motor Ford e uma bomba de combustível da época que minha avó usava calcinha. Realmente impressionante para aqueles que, como eu, adoram carros.
Para finalizar o dia repleto de atividades com chave de ouro, fomos degustar o tão falado Café Colonial servido pelo restaurante Bela Vista. Pelos comentários de minha esposa imaginava que o café colonial era bem servido e feito para humano descente comer. Entretanto, fiquei abismado pelo ABSURDO de comida que é servido. Gente, falo sério: é um ABSURDO DE COMIDA. E sabe o que é pior? Tudo que é servido é uma delícia. Assim, ficava difícil parar de comer. Quer saber o que é servido? É tanta coisa que não consegui gravar em minha cabeça, mas, pelo que recordo, “todo aquele suicídio alimentar” iniciou-se com 03 jarras (uma de suco de uva, de vinho tinto e de vinho branco) pães diversos, geléias, manteiga e frios, sequenciado por bolos (dentro os quais o de cuca) e outros doces, além de tortas, bolinho de queijo, coxa de frango assada, filé de porco, linguiça e frango... Basta gente! Ah, sabe o que achei mais incrível? O “cinismo” dos garçons em nos perguntar se estava faltando alguma coisa. Ora gente, a quantidade de alimentos é tão absurda que qualquer humano capaz de comer tudo o que é servido DEVE SER analisado cientificamente para saber o que ele tem de anormal em relação aos outros. Entendo a preocupação em servir bem dos garçons, mas, para mim, a pergunta se está faltando algo é desnecessária. Ah, ia esquecendo de um detalhe: pode se servir quantas vezes quiser e se a pessoa não ficar satisfeita com tudo que for servido à mesa, poderá provar das tortas doces que ficam em exposição em um refrigerador. Vai se catar meu amigo! Realmente é impressionante, tanto a quantidade quanto a qualidade de tudo, e é bastante válido conhecer local tão aconchegante.
5. Alpen Park
No dia de nossa despedida de Gramado, seguimos rumo à Canela para curtimos o Alpen Park. Neste parque a diversão e a aventura estão em primeiro lugar, tudo rodeado pela vegetação nativa da região. O primeiro “brinquedo” a ser experimentado foi o trenó. Uma decida morro abaixo dentro de um trenó no qual o “piloto” é a própria pessoa. Uma sensação única de liberdade e aventura junto à natureza, podendo-se chegar a velocidade de 40 km/h. Em seguida, fomos ao único cinema 4D (você não leu errado) do Brasil assistir o filme Ilha Perdida. As sensações e surpresas experimentadas são incríveis, pois nos sentimos personagens do filme e, assim, provamos, literalmente, algumas partes do filme. É surpreendente. O mistério da Monga foi a apresentação que menos encheu meus olhos, mas minha esposa ficou com medo. Depois de deixarmos nossos corpos cheios de adrenalina, retornamos à Gramado para voltarmos à São Luís.
É inegável que esses momentos ficarão registrados em minha memória até o fim de minha vida, mas nada seria igual se ao meu lado não estivesse a minha mulher, um ser maravilhoso que, mais uma vez, me surpreendeu com tamanha dedicação, amor e carinho no planejamento e execução dessa viagem inesquecível.
Geysa Lopes, te amo!