25 de março de 2008

Palavras guardadas


Maria Inez,

Nasceste com nome da virgem santa e sobrenome de rainha... Exclusividade não? De certo modo sim, porém, afirmar que és santa ensejaria renegar a existência de seres humanos que, simultaneamente, são parte de ti e integram o teu majestoso reinado; este, regido e cultuado com valores assimilados no surpreendente, indelicado e verdadeiro banco escolar: o da vida.

Creio que jamais pensaste que estaria onde estás hoje. Brotaste em um lugar no qual as ofertas de evolução e as condições de sobrevivência são objetos de anseio e de escassez ainda hoje, contudo, predestinados vêm ao mundo para brilhar, tipo as estrelas, e a enorme probabilidade de também deixarem uma vasta trilha, feito a de um cometa, não se descarta. Por isso, para nós, tua família, és estrela a cintilar constantemente e um cometa a indicar suavemente direções no céu desse reinado de 57 anos.

No curso de tua existência, dentre vários feitos, foste capaz de gerar três vidas. Estas, conservam as peculiares formas boleadas do teu gene e mostram que, entre as particulares e personalidades diversas, pactuam de um mesmo apreço, respeito, admiração e sentimento de amor por ti.

As águas de Março estão a passar e a promessa de mais vida nos corações de teus escolhidos é evidente, pois, por mais um ano tiveram o prazer de ter-te no comando do império e o anseio que a tua direção seja longínqua é imensurável.

Na confiança da bondade e benção divinas, e que a tua permanência entre todos que te amam seja duradoura, deixo-te a seguinte mensagem: “Somos do tamanho que acreditamos ser, e a dimensão de alguém não se estabelece pela estatura, pela inteligência, pelas posses ou pelo nome, encontra-se, unicamente, nos atos e os reflexos destes na vida de alguém”.
Te amamos!

3 de março de 2008

Sentir...

Há momentos em nossa vida que jamais deveriam deixar de existir... Mas acho que se assim não acontecesse não haveria a lembraça e a vontade de reviver instantes tais quais os que consideramos inesquecíveis.

Atravessamos dia e noite sem ao menos notar situações significantes, mas num simples gesto observamos coisas que juramos não ter tanta importância e defrontamo-nos com o equívoco. Alguns valores questionados, lições enlatadas, sugestões tipo receitas de bolo, olhos que não vêem, mãos que não sentem, gestos calculados, julgamentos... A dialética do certo e do errado nos consome para que atinjamos mais os acertos que os aprendizados. O quê fazer? Dar as costas, fazer de conta que nada está acontecendo, desdenhar, não se sentir pertencente aos acontecimentos, para alguns, é sinal de fraqueza. Sei não, mas acho que todas essas formas foram escudos encontrados para dirimir situações inevitáveis na vida de qualquer ser humano.

Entender é bem mais difícil que sentir. Ou será que é o contrário? Enfim, cada um tem a sensibilidade ou racionalidade que merece - ou exercita -, contudo, entendo que a vida não teria tanta graça se entendêssemos muito e sentíssemos pouco. Vejo que para entender algo necessita-se, primeiramente, sentir. Está certo que cada um tem a sua forma e seu grau de sensibilidade, por isso há várias interpretações, mas nada melhor que racionalizar por meio do sentir. Acho que isso parece filosofia, mas tente enxergar essa capacidade.