Ontem, dia 18 de dezembro de 2006, fui à faculdade com o objetivo de entregar as provas da disciplina de Direito do Trabalho – missão que me propus realizar, mas que, por sinal, foi desconsiderada pelos colegas de sala, já que ninguém apareceu para receber sua prova. Porém, como nem tudo fica perdido, acabei seguindo em direção ao estacionamento para observar a festa de colação de grau dos formandos dos cursos do Uniceuma Campus II que ora acontecia.
Podia sentir o calor e a energia positiva que pairava o ambiente. Participar de uma colação de grau é uma sensação realmente emocionante. Parentes, amigos, namorados, cônjuges, afins... Enfim, inúmeras pessoas se propuseram a ir àquele momento solene e nobre com o intento de prestigiar todas aquelas pessoas, literalmente “embecadas”, que, de certa ou alguma forma, abdicaram e privaram-se de vontades, de desejos, de instantes com entes queridos para estudar, realizar as tarefas determinadas por cada curso e, finalmente, concretizarem de forma honrosa e vitoriosa a graduação em um curso superior ou técnico.
Observador que sou, fiquei ali no meu canto como se soubesse que algo de bom viria a acontecer posteriormente. Após ouvir vários discursos, tanto de alunos quanto de professores, sendo aqueles realizados de improviso ou de leitura mesmo, um fato me chamou bastante atenção e motivou-me a escrever essa mensagem natalina que, até agora, de natalina não tem nada.
Discretamente um professor (infelizmente não gravei seu nome) assumiu o posto diante ao microfone e anunciou que iria transmitir aos presentes uma mensagem natalina em forma de música. Em minha cabeça veio logo aquelas músicas maçantes que de praxe ouvimos no Natal, entretanto, para a minha surpresa, jamais havia escutado uma música tão simples, com uma melodia tão gostosa e de tamanho valor essencial. Não me recordo da letra na íntegra, mas o que ficou registrado como cerne foi: do que adianta ter uma mesa farta sabendo que muitos estão com fome? Do que adianta ganhar vários presentes se possivelmente ao nosso lado não há uma sandália? E assim seguiu cantando a música, sendo calorosamente aplaudido ao final.
Embasado nessas duas singelas perguntas é que inicio a minha mensagem de Natal; aliás, inicio não, questiono (pra variar): por que nós, somente no fim do ano, adquirimos e exercemos com tamanha amplitude, propriedade e cabimento o espírito altruísta? Será que é porque estamos com mais dinheiro no bolso, devido o recebimento do 13º salário? Será que somente nessa época nos sensibilizamos com as dores alheias, sobretudo, com as materiais? Será? Também não quero entrar na onda fulminante da generalização, pois sei que há pessoas que diariamente vivem para servir e, mesmo não tendo todo recurso material necessário para afirmar que é uma pessoa feliz, sentem-se extremamente felizes.
Gosto de ler e leio praticamente sobre todo e qualquer tipo de assunto e, ultimamente, tenho recebido belos e-mails nos quais se ressaltam mais o valor do espírito do que o da matéria. Em cima dos ensinamentos absorvidos com as leituras penso: será que é tão difícil enxergar o ser humano em seu contexto, em sua essência? Será que é mesmo necessário avaliar as pessoas por sua aparência, pelo que elas possuem materialmente, pelo que podem nos proporcionar, pelo cargo que exercem ( por sinal, este acaba incorporando ao próprio nome), enfim, sucintamente dizendo: é mais importante o verbo TER do que o verbo SER? Difícil resposta, pois a minha consciência de que todos somos diferentes, pensamos diferentes, ambicionamos coisas diferentes é clara, mas entendo que deveria existir, durante todo ano, não somente em dezembro, o que realmente o Natal (chegada de Jesus Cristo) transmite: o AMOR de Deus para conosco.
Amor, palavra tão calejada, proferida, dissertada, mas que muitos fazem questão de não praticá-la ou, até mesmo, não a praticam por não saber ou jamais tenham “sentido”. A meu ver são desculpas... Acredito que o amor é um sentimento que está dentro de nós e só não o demonstramos se não quisermos ou se sofremos algum trauma. O que entendo como grande propriedade nesse assunto é que há tempos o eu está acima do que o nós e, quando o nós está presente, fazendo o seu papel igualitário, sempre surge um eu para tentar desfazê-lo. Firmeza e coesão daqueles que não permitem essa partilha inexata e desleal.
Vejo a época natalina como um período de manifestação “espontânea” (não sei até que ponto) do amor. Não sei até que ponto, pois minhas referências de amor são bem impares: minha mãe, Madre Tereza de Caucutá, Jesus Cristo, Luther King, Mahatma Gandhi... Acredito que já servem como belos exemplos.
Entendo que no Natal e em todo ano o verbo amar deveria ser conjugado somente em um pronome do caso reto: NÓS. Interpreto que essa conjugação regeria as relações humanas cotidianas de uma forma bem mais social e acalentadora. Vejam só a diferença entre: eu amo em janeiro, tu amas em fevereiro e ele ama em março; nós amamos em abril, vós amais em maio e eles amam em junho. Após ler a conjugação do verbo, qual seria o melhor mês para se amar? Acredito que aquele no qual todos amam, ou seja, nós amamos em abril. Assim que entendo o Natal: nós amando em janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho... Não só exclusivamente em dezembro.
Viver é ter a ciência e a necessidade de saber dividir o que possuímos, seja material, seja espiritualmente para que ao final se observe a importância da soma que essa divisão permite. Feliz daquele que ama incondicional e cotidianamente as pessoas, independente de quaisquer elementos que possam vir a retratá-las como excluídas diante da sociedade. Somos todos iguais em matéria e nada de sobrepujar-nos sobre alguém.
Lembro-me da tatuagem de um garoto que conheci na praia e que me chamou muito a atenção. Em sua costa estava escrito “Maria da Paz (em cima) ...dê amor. (em baixo). Perguntei-o qual razão daquela tatuagem. Como resposta obtive algo que achei fenomenal e só poderia ter vindo de alguém muito sábio: “Rapaz, Maria da Paz é o nome de minha avó e dê amor foi a última frase que ela disse antes de falecer”.
Então amigos queridos que possamos dar amor cotidianamente a todos que nos circundam ou não. Sei que por muitas vezes o orgulho, o rancor, a mágoa, as desavença, os desacordos, se fazem presentes para afastar a proliferação e a manifestação desse sentimento nobre que é o amor. Sejamos fortes e jamais nos deixemos enfraquecer, pois a mensagem da vovó é: DÊ AMOR.
Um Natal cheio de amor e um ano novo repleto de realizações, sucesso e amor.