19 de dezembro de 2006

MENSAGEM DE NATAL

Ontem, dia 18 de dezembro de 2006, fui à faculdade com o objetivo de entregar as provas da disciplina de Direito do Trabalho – missão que me propus realizar, mas que, por sinal, foi desconsiderada pelos colegas de sala, já que ninguém apareceu para receber sua prova. Porém, como nem tudo fica perdido, acabei seguindo em direção ao estacionamento para observar a festa de colação de grau dos formandos dos cursos do Uniceuma Campus II que ora acontecia.

Podia sentir o calor e a energia positiva que pairava o ambiente. Participar de uma colação de grau é uma sensação realmente emocionante. Parentes, amigos, namorados, cônjuges, afins... Enfim, inúmeras pessoas se propuseram a ir àquele momento solene e nobre com o intento de prestigiar todas aquelas pessoas, literalmente “embecadas”, que, de certa ou alguma forma, abdicaram e privaram-se de vontades, de desejos, de instantes com entes queridos para estudar, realizar as tarefas determinadas por cada curso e, finalmente, concretizarem de forma honrosa e vitoriosa a graduação em um curso superior ou técnico.

Observador que sou, fiquei ali no meu canto como se soubesse que algo de bom viria a acontecer posteriormente. Após ouvir vários discursos, tanto de alunos quanto de professores, sendo aqueles realizados de improviso ou de leitura mesmo, um fato me chamou bastante atenção e motivou-me a escrever essa mensagem natalina que, até agora, de natalina não tem nada.

Discretamente um professor (infelizmente não gravei seu nome) assumiu o posto diante ao microfone e anunciou que iria transmitir aos presentes uma mensagem natalina em forma de música. Em minha cabeça veio logo aquelas músicas maçantes que de praxe ouvimos no Natal, entretanto, para a minha surpresa, jamais havia escutado uma música tão simples, com uma melodia tão gostosa e de tamanho valor essencial. Não me recordo da letra na íntegra, mas o que ficou registrado como cerne foi: do que adianta ter uma mesa farta sabendo que muitos estão com fome? Do que adianta ganhar vários presentes se possivelmente ao nosso lado não há uma sandália? E assim seguiu cantando a música, sendo calorosamente aplaudido ao final.

Embasado nessas duas singelas perguntas é que inicio a minha mensagem de Natal; aliás, inicio não, questiono (pra variar): por que nós, somente no fim do ano, adquirimos e exercemos com tamanha amplitude, propriedade e cabimento o espírito altruísta? Será que é porque estamos com mais dinheiro no bolso, devido o recebimento do 13º salário? Será que somente nessa época nos sensibilizamos com as dores alheias, sobretudo, com as materiais? Será? Também não quero entrar na onda fulminante da generalização, pois sei que há pessoas que diariamente vivem para servir e, mesmo não tendo todo recurso material necessário para afirmar que é uma pessoa feliz, sentem-se extremamente felizes.

Gosto de ler e leio praticamente sobre todo e qualquer tipo de assunto e, ultimamente, tenho recebido belos e-mails nos quais se ressaltam mais o valor do espírito do que o da matéria. Em cima dos ensinamentos absorvidos com as leituras penso: será que é tão difícil enxergar o ser humano em seu contexto, em sua essência? Será que é mesmo necessário avaliar as pessoas por sua aparência, pelo que elas possuem materialmente, pelo que podem nos proporcionar, pelo cargo que exercem ( por sinal, este acaba incorporando ao próprio nome), enfim, sucintamente dizendo: é mais importante o verbo TER do que o verbo SER? Difícil resposta, pois a minha consciência de que todos somos diferentes, pensamos diferentes, ambicionamos coisas diferentes é clara, mas entendo que deveria existir, durante todo ano, não somente em dezembro, o que realmente o Natal (chegada de Jesus Cristo) transmite: o AMOR de Deus para conosco.

Amor, palavra tão calejada, proferida, dissertada, mas que muitos fazem questão de não praticá-la ou, até mesmo, não a praticam por não saber ou jamais tenham “sentido”. A meu ver são desculpas... Acredito que o amor é um sentimento que está dentro de nós e só não o demonstramos se não quisermos ou se sofremos algum trauma. O que entendo como grande propriedade nesse assunto é que há tempos o eu está acima do que o nós e, quando o nós está presente, fazendo o seu papel igualitário, sempre surge um eu para tentar desfazê-lo. Firmeza e coesão daqueles que não permitem essa partilha inexata e desleal.

Vejo a época natalina como um período de manifestação “espontânea” (não sei até que ponto) do amor. Não sei até que ponto, pois minhas referências de amor são bem impares: minha mãe, Madre Tereza de Caucutá, Jesus Cristo, Luther King, Mahatma Gandhi... Acredito que já servem como belos exemplos.

Entendo que no Natal e em todo ano o verbo amar deveria ser conjugado somente em um pronome do caso reto: NÓS. Interpreto que essa conjugação regeria as relações humanas cotidianas de uma forma bem mais social e acalentadora. Vejam só a diferença entre: eu amo em janeiro, tu amas em fevereiro e ele ama em março; nós amamos em abril, vós amais em maio e eles amam em junho. Após ler a conjugação do verbo, qual seria o melhor mês para se amar? Acredito que aquele no qual todos amam, ou seja, nós amamos em abril. Assim que entendo o Natal: nós amando em janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho... Não só exclusivamente em dezembro.

Viver é ter a ciência e a necessidade de saber dividir o que possuímos, seja material, seja espiritualmente para que ao final se observe a importância da soma que essa divisão permite. Feliz daquele que ama incondicional e cotidianamente as pessoas, independente de quaisquer elementos que possam vir a retratá-las como excluídas diante da sociedade. Somos todos iguais em matéria e nada de sobrepujar-nos sobre alguém.

Lembro-me da tatuagem de um garoto que conheci na praia e que me chamou muito a atenção. Em sua costa estava escrito “Maria da Paz (em cima) ...dê amor. (em baixo). Perguntei-o qual razão daquela tatuagem. Como resposta obtive algo que achei fenomenal e só poderia ter vindo de alguém muito sábio: “Rapaz, Maria da Paz é o nome de minha avó e dê amor foi a última frase que ela disse antes de falecer”.

Então amigos queridos que possamos dar amor cotidianamente a todos que nos circundam ou não. Sei que por muitas vezes o orgulho, o rancor, a mágoa, as desavença, os desacordos, se fazem presentes para afastar a proliferação e a manifestação desse sentimento nobre que é o amor. Sejamos fortes e jamais nos deixemos enfraquecer, pois a mensagem da vovó é: DÊ AMOR.

Um Natal cheio de amor e um ano novo repleto de realizações, sucesso e amor.

18 de dezembro de 2006

AINDA NÃO É A MENSAGEM DE NATAL

Mais um ano se aproxima do fim e, simultaneamente, as festas de Natal e Ano novo vêm acompanhadas para animar o término de mais um ciclo. São festas que adoro, pois sinto que grande parte da população permite-se absorver um espírito altruísta, portanto, sendo familiar, amigo, conhecido ou não, geralmente a boa educação e a gentileza estão presentes no cotidiano. Mas me questiono: será que só nessa época as pessoas são dignas de serem tratadas dessa forma? Deixemos pra lá.

Meu ano começou incerto, pois diante de várias coisas que poderia ter queria estar ao lado de uma pessoa que marcou muito minha vida, mas que dias antes resolvemos nos distanciar. Por mais que a escolha já tivesse sido feita a sua presença era incontestável em meu coração no queimar dos fogos. Embora a presença de amigos fosse visível, o mar, naquele instante, foi o meu maior ouvinte e Deus o meu grande motivador e direcionador para ter em mente um ano melhor que o anterior.

O ano de 2006 não foi nada fácil, tenho de confessar. Em muitos âmbitos de minha vida me vi acuado e sem saber lidar com as situações iminentes e inusitadas. Acredito que as palavras-chave desse ano foram: indefinição, reavaliação e reconstrução.

No decurso do ano surgiram pessoas que me ensinaram muitas coisas, acalentaram minhas emoções e desenganos, me fortaleceram, me direcionaram, me satisfizeram, me enganaram, me ajudaram... Enfim, as pessoas foram peças primordiais em meu viver mais uma vez. Ainda que seja taxado de formal, acredito que quem me conhece sabe que não é bem isso quem sou, portanto acabo construindo laços por onde quer que eu passe.

Agradeço a Deus, primeiramente, por todas as provações que me fez e eu me permiti passar. Não poderia deixar de falar das pessoas que participaram direta ou indiretamente de meu ano. Amigos de trabalho, sobretudo, meu cunhado Joe e meu irmão Pat; meus amigos e colegas de faculdade; velhos amigos (Lívia, Tânia Freire, Carlindo e família, Mônica Ferreira, Elaine Palázio, Goretti Medeiros, Mirela Soares, Marcus Vinícius) e novas amizades (Tereza Cristina, Karla Jandyra)... Enfim, todos deixaram suas marcas positivas que levarei pro resto da vida.

Em 2007 tenho certeza de que começarei a construção de um castelo no qual jamais alguém acreditaria que fosse capaz de arquitetar, porém muitos irão desfrutar de suas vantagens.

11 de dezembro de 2006

ESTAR SOZINHO


Recebi esse e-mail de uma amiga e achei-o de uma grandeza tamanha que resolvi postá-lo e dividi-lo com quem não teve a oportunidade de lê-lo.

Esse texto foi concebido pelo Dr. Flávio Gikovate, médico psicoterapeuta, que, a meu ver, fala com muito consistência e fundamento sobre o tema.

Importante reavaliarmos nossa concepção sobre relacionamento.


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ESTAR SOZINHO

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

UM GRANDE SHOW.

Não sei bem o que irei escrever, mas hoje me deu vontade de postar algo aqui.
Meu fim de semana foi muito interessante. Desde quinta-feira, dia 07 de dezembro, fui surpreendido por várias coisas. Depoimentos inesperados, descobertas interessantes, observações assertivas, equivocos suplantados, frustrações de conhecidos... Enfim, aprendi muito, pois não há nada melhor do que ouvir, conversar e dividir experiências.
No sábado fui ao show da banda Roupa Nova e, sinceramente, não via coisa igual há muito tempo aqui em São Luís. Refiro-me a "coisa igual" num contexto latu, pois, aos meus olhos, quase sempre implacáveis e críticos, tudo saiu perfeitamente.
Achei incrível como a produção da banda foi capaz de realizar tal evento (específico as ações no palco) de uma maneira na qual não tivéssemos elementos plausíveis para refutar. As coisas eram tão óbvias que aconteciam naturalmente, mas acredito que para chegar no estágio da "obviedade" houve muito ensaio e trabalho.
Iluminação harmonizada e casada com às ações e músicas da banda, instrumentos impecáveis e afinadíssimos, sonorização invejável, repertório no qual o misto do romantismo com o agito era claramente visto, presença de palco e animação frequentes dos artistas, além do trabalho eficiente daqueles que geralmente passam desapercebidos do público, mas que são fundamentais para a execução do show: os holdings.
Sinceramente, acredito que quem não foi ao show perdeu não só a qualidade musical da banda que é INCONTESTÁVEL, mas uma oportunidade de vê o quanto se pode fazer algo muito bem feito e da melhor forma possível.
Ainda acredito naqueles que têm vontade e prazer de fazer as coisas sempre da melhor forma possível com o intento de suplantar barreiras e limites.