5 de março de 2007

MEUS CABELOS BRANCOS

Hoje percebo que meus cabelos brancos evidenciam o que meu sorriso tenta ocultar em meu íntimo. Hipocrisia? Disfarce? Não! Entendo que as pessoas próximas não tem nada a ver com o que o cotidiano me compele a enfrentar, portanto, meus dentes estarão à mostra quando acreditar ser necessário mostrá-los. Contudo, perdoem-me quando não for capaz de deixá-los à vista.

A cada texto que leio, tento extrair o que há de melhor, a cada momento que vivo, tento assimilar o que de bom pude ter como experiência, a cada diálogo com uma pessoa, seja ela amiga ou desconhecida, tento fazer com que as diferenças sejam degraus para meu voar. Mas, sinceramente, por vezes, pergunto-me se minha decolagem tem a rota disseminada ou esperada pela sociedade. Enxergo que tem alguns aeroportos que faço escala como todos, mas em outros faço questão de não chegar, tendo como efeito um destino diverso. Assim, vou vivendo e buscando aperfeiçoar-me tanto espiritual quanto materialmente.

Às vezes, por mais difícil que seja admitir diante da sociedade na qual vivemos, tenho vontade de jogar tudo para o ar e seguir uma vida de subsistência, tipo os hippies e índios, já que a vida direcionada e “financiada” (educação, alimentação, habitação, saúde...) por alguns pais que tiveram a possibilidade de assim fazer, transmite, veementemente, que o sucesso material é o alvo e o ápice do viver e da felicidade. Sei que o dinheiro possibilita coisas maravilhosas tanto para quem sabe usá-lo quanto para quem é usado por ele, contudo, tenho uma idéia utópica – que descrença não? Por isso que vejo como fantasia – de que seríamos capazes de viver sem papel moeda, pedras preciosas ou qualquer outra coisa que significasse poder, hegemonia, “respeito” perante os olhos daqueles que nada possuem – refiro-me materialmente – e daqueles que têm, como maior qualidade, o interesse. Para mim, os ricos seriam aqueles que possuíssem em abundância caráter, educação, respeito ao próximo, cumplicidade... Qualidades que enxergo serem capazes de provocar transformações em qualquer ambiente sem que a propina ou corrupção, coisas diretamente materiais, fossem mais fortes, pois, ainda que houvesse o desnível natural a evolução aqui dependeria unicamente da vontade individual de construir uma imagem na qual seria bem difícil desvirtuar.

Palavras, apenas palavras, pequenas palavras... Hoje, sou um sonhador confuso, repleto de direções a seguir, mas sem o rumo exatamente correto: o norte. Vou indo, indo realmente, mas tenho certeza de que essa necessidade de controlar os passos que dou - algo bem humano não? - é substituída pela crença de que estou plantando sementes boas para, cedo ou tarde, colher bons frutos, da forma como acredito ser a felicidade.