5 de novembro de 2010

OAB/MA sob aplausos

O post anterior tratou de um assunto lamentável, porém, os que pensavam que poderiam ficar impunes certamente sentirão que o respeito é essencial em qualquer forma de expressão.

O presidente da Seccional do Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil, Mario Macieira, numa atitude louvável e correspondente ao cargo que exerce, ingressou com representações na Polícia Federal de São Paulo, na Polícia Civil do Estado de São Paulo, na Procuradoria da República no Estado de São Paulo e na Procuradoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo contra MAYARA PETRUSO e dezenas de outras pessoas que postaram comentários preconceituosos nas redes sociais, contra o povo nordestino, por conta da eleição de Dilma Rousseff.

As agressões foram divulgadas no blog HeartBeatz (http://kioshi.blogspot.com/2010/11/xenofobia-no-twitter-contra-nordestinos.html) e tomaram repercussão descomunal na internet pelo teor preconceituoso. Ao acreditar na impunidade, alguns indivíduos recharçaram ferozmente o povo nordestino, porém, olvidaram-se de que na região há pessoas de representatividade nacional e que jamais compactuariam com tamanha pequenez espiritual.

O que nos resta agora é só esperar.

Aplausos à OAB/MA. Aplausos à Mario Marcieira.  

1 de novembro de 2010

Xenofobia ou bairrismo? Qualquer um é prejudicial ao país

Recebi um e-mail de minha amiga-psicóloga Melissa Campos, o qual continha um link do blog HeartBeatz (http://kioshi.blogspot.com/2010/11/xenofobia-no-twitter-contra-nordestinos.html) que faz alusão a um post bem atual sobre os efeitos da eleição à presidência entre as regiões do país, esposando os comentários escritos por integrantes do twitter que se dizem fazer parte da região Sul e Sudeste.

Confesso que pensei bastante no que iria escrever, até porque não seria válido trocar-se com quem não faz questão de respeitar a opinião do próximo e, sobretudo, quem faz questão de se intitular superior. Penso que quem faz questão de se elevar é, no fundo, um ser fragilizado ou que pretende convercer de sua superioridade, por isso, inevitavelmente suas ponderações carecem de misericórdia pela falta de entendimento ou compreesão da realidade, porém, jamais devem ser descartadas.

É oportuno rememorar que o sistema eleitoral de nosso país, no que se refere à eleição do presidente da república, é composto pelo voto da maioria, razão pela qual não é uma ou são duas regiões que têm relevância sobre a votação final, e sim a maioria dos votos dos cidadãos. Dessa forma, não fica difícil de inferir que, muito embora alguns twitteiros façam referência de que a derrota do Serra foi decorrente das escolhas da região Nordeste, esquecem-se de levar em consideração que alguns de seus conterrâneos também votaram na Dilma.

Enfim, o que é de se espantar diante de toda essa situação é a falta de respeito com a escolha do vizinho, principalmente, aproveitar-se de tal situação, e de modo preconceituoso e intolerante, buscar um judas ou uma justificativa compensatória para que não se tenha a sensação de que foi derrotado. Ora, ora.

As boas maneiras se esperam geralmente daqueles que têm mais condições. Em tese, os amigos que emitiram as suas opiniões deveriam ter agido com cortesia, até porque, "seriam superiores". No entanto, tenho certeza de que os nordestinos jamais deixaram de recepcioná-los com atenção e bom modos, independente da intolerância ou bairrismo demonstrados.

30 de outubro de 2010

Assunto complicado

Sábado à tarde, lendo e respondendo e-mails, espiando os artistas entrevistados no programa Estrelas, acesso o sítio da globo.com e deparo-me com a notícia: "mãe de aluna molestada: 'vida está destruída'" (http://extra.globo.com/geral/casodepolicia/posts/2010/10/30/mae-da-aluna-molestada-por-professora-revela-detalhes-do-drama-336929.asp).

A notícia foi tão instigante que fiquei curioso para saber o que tinha levado àquela mãe a manifestar tamanha decepção. Iniciei a leitura da reportagem com um propósito, todavia, ao final acabei sendo levado a ter uma conclusão prévia, mas não definitiva, sobre o tema palpitante da concessão legal para a criação de crianças por casais homossexuais. Mas o que isso tem a ver com a notícia? A meu sentir, muito, e isso ficará patente.

A reportagem põe em destaque a irresignação de uma mãe que, segundo suas declarações, teria elementos suficientes para provar que uma professora e sua filha, de 09 (nove) anos de idade, mantiveram uma relação amorosa. À primeira vista, observa-se que a insatisfação de uma mãe ao perceber que um adulto teria seduzido, aproveitado e molestado sua filha parece ser bem natural, razão pela qual merece sim a difusão nos meios de comunicação, até porque esse tipo de intervenção indireta serve de exemplo e/ou, quiça, de circunstância inibitória ao exercício de lamentável conduta perpetrada pelos pedófilos.

É oportuno salientar que a pedofilia hodiernamente está sendo combatida, seja pelas instituições do Estado, seja pelos próprios cidadãos que intercedem via denúncia (Ligue 100). Deste modo, é fato que não se pode aquiescer com tão desprezível comportamento, por isso, é dever de cada um cooperar para a diminuição desses casos repugnantes e massacradores da dignidade e da moral de nossas crianças.

Pois bem. Mas o que isso tem a ver com a ilação referente à criação de crianças por casais homossexuais? Presumo não haver nenhuma ligação direta, isso porque, em minha humilde análise de profissional da área de humanas, a pedofilia é uma doença psicológica que requer um tratamento contínuo e um acompanhamento integral, e, sendo assim, a sua "transmissão" não decorreria da educação dada por um casal de homossexuais. No entanto, embora possa parecer contraditório, ou, para os mais melindrosos, uma clara manifestação de preconceito, acredito que o ambiente familiar constituído somente por homens ou mulheres, exercendo papéis de cunho masculino e feminino (marido e mulher), influencia sobremaneira as futuras posturas, avaliações e comportamentos de uma criança, a qual aborve tudo aquilo que lhe é apresentado, já que está em processo de formação intelectual, moral, social e familiar.

É cabível ressaltar que a minha reserva não é em relação aos homossexuais, e sim a estrutura familiar que se busca implementar, a qual, a meu sentir, e alicerçado neste episódio, demonstra carecer de figuras elementares à formação da personalidade de uma criança, sujeitando-a a situações futuras indelicadas, as quais, inevitavelmente, compelirão ao casal homossexual a prestar as devidas explicações. Essa ponderação não tem cunho religioso, tampouco base científica que a sustente, mas, há sim, um conhecimento empírico do qual se extrai de modo flagrante a forma como a sociedade conduz as questões que exigem uma elevação espiritual diferenciada.

Portanto, essa ilação decorre de fatos expostos no final da reportagem, quando foram feitas perguntas relativas à estrutura familiar da criança supostamente abusada pela professora. A mãe declara que a criança não conhece o pai (ele não quis assumir a paternidade), que mora com a avó e com a sua companheira e que a criança tem conhecimento de que ela é "entendida" (homossexual) desde os seus 05 (cinco) anos de idade.

Ora, muito embora a mãe declare que desde os 05 (cinco) anos de idade a menor sabia que ela é "entendida" (a criança nessa idade tem capacidade de entender essa escolha da mãe?) e que condene a ação da professora (de fato é reprovável), será que jamais se questionou que a estrutura familiar apresentada à criança poderia motivar-lhe o interesse de fazer o mesmo? Não se trata de ser algo normal ou não, mas das influências, uma vez que o homem, em predominância, é produto de seu meio.

É difícil responder a contento e de modo certeiro o questionamento alhures, até porque envolve vários outros referenciais, fatores e valores que merecem e devem ser ponderados. Porém, atrevo-me a opinar que, se a suposta relação amorosa entre professora e filha fosse compreendida por esta como algo equivocado, proibido ou impróprio, acredito que a primeira atitude da menor seria a negativa ou não aceitação. Agora, como ela poderia repudiar a atitude da professora se dentro de sua casa observa que a sua mãe mantém uma relação que, em sua mente, apresenta-se idêntica ao que lhe foi proposto? Retirando-se o fator da idade entre professora e aluna, é óbvio que em nada a mãe poderia condenar a suposta relação havida entre elas, até porque não teria base para consolidar a sua argumentação.

Enfim, assunto complexo, outros argumentos poderiam ser esposadas, questões que não foram exauridas e que, pessoalmente, serviram para albergar um convencimento inicial, mas não definitivo, sobre um tema palpitante e que ainda encontra-se indefinido no âmbito legal. Porém, não poderia deixar de concluir que, embora a mãe condene a ação da professora (o que é realmente reprovável), acredito que seria o instante de sopesar as suas condutas, sobretudo porque, neste momento, a busca por reconstruir o íntimo de uma criança que se encontra envolvida com o manto da vergonha é medida mais do que urgente.

24 de outubro de 2010

Guerra contra a "Juizite" e troca de favores


Aos que acessam assiduamente este recanto de informação, acredito ter percebido a minha opção em não mais vincular o texto postado a uma imagem, deixando somente as palavras falarem por si sós. No entanto, abro uma exceção e faço questão de enaltecer e difundir a figura da nova Corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministra Eliana Calmon, a qual, em entrevista concedida à Revista Veja, fala abertamente das influências políticas dentro do Judiciário para ascensão de Juízes na carreira, das trocas de favores e da patologia denominada de "Juizite", a qual é bem explicada no texto abaixo.

Acredito que expor o que penso sobre o assunto seria redundância, até porque se não anuisse as colocações tão lúcidas e corajosas da ministra Eliana Calmon, jamais as colocaria aqui. Todavia, espero que a sua vontade de modificar positivamente um cenário que se habituou com a nebulosidade não seja boicotada ou obstada por interesses escusos.

É gratificante perceber que ainda há pessoas que compõem a cúpula de instituições essenciais do Estado e, por meio de seus trabalhos, buscam inserir melhorias em favor da sociedade, a qual, sem dúvida alguma, é sempre a maior vítima.

Boa leitura.

Entrevista da Ministra Eliana Calmon à Revista Veja

A ministra Eliana Calmon é conhecida no mundo jurídico por chamar as coisas pelo que são. Há onze anos no STJ, Eliana já se envolveu em brigas ferozes com colegas – a mais recente delas com então presidente César Asfor Rocha. Recém-empossada no cargo de corregedora do Conselho Nacional de Justiça, a ministra passa a deter, pelos próximos dois anos, a missão de fiscalizar o desempenho de juízes de todo país.

A tarefa será árdua. Criado oficialmente em 2004, o CNJ nasceu sob críticas dos juízes, que rejeitavam ideia de ser submetidos a um órgão de controle externo. Nos últimos dois anos, o conselho abriu mais de 100 processos para investigar a magistratura e afastou 34.

Em entrevista a Veja, Eliana Calmon mostra o porquê de sua fama. Ela diz que o Judiciário está contaminado pela politicagem miúda o que faz com que juízes produzam decisões sob medida para atender aos interesses dos políticos, que, por sua são os patrocinadores das indicações dos ministros.

Veja - Por que nos últimos anos pipocaram tantas denúncias de corrupção no Judiciário?
Ministra - Durante anos, ninguém tomou conta dos juízes, pouco se fiscalizou, corrupção começa embaixo. Não é incomum um desembargador corrupto usar o juiz de primeira instância como escudo para suas ações. Ele telefona para o juiz e lhe pede uma liminar, um habeas corpus ou uma sentença. Os juizes que se sujeitam a isso são candidatos naturais a futuras promoções. Os que se negam a fazer esse tipo de coisa, os corretos, ficam onde estão.

Veja - A senhora quer dizer que a ascensão funcional na magistratura depende dessa troca de favores?
Ministra - O ideal é que as promoções acontecessem por mérito. Hoje é a política que define o preenchimento de vagas nos tribunais superiores, por exemplo. Os piores magistrados terminam sendo os mais louvados. O ignorante, o despreparado, não cria problema com ninguém porque sabe que num embate ele levará a pior. Esse chegará ao topo do Judiciário.

Veja - Esse problema atinge também os tribunais superiores, onde as nomeações são feitas pelo presidente da República?
Ministra - Estamos falando de outra questão muito séria. É como o braço político se infiltra no Poder Judiciário. Recentemente, para atender a um pedido político, o STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal.

Veja - A tese que a senhora critica foi usada pelo ministro César Asfor Rocha para trancar a Operação Castelo de Areia, que investigou pagamentos da empreiteira Camargo Corrêa a vários políticos.
Ministra - É uma tese equivocada, que serve muito bem a interesses políticos. O STJ chegou à conclusão de que denúncia anônima não pode ser considerada pelo tribunal. De fato, uma simples carta apócrifa não deve ser considerada. Mas, se a Polícia Federal recebe a denúncia, investiga e vê que é verdadeira, e a investigação chega ao tribunal com todas as provas, você vai desconsiderar? Tem cabimento isso? Não tem. A denúncia anônima só vale quando o denunciado é um traficante? Há uma mistura e uma intimidade indecente com o poder.

Veja - Existe essa relação de subserviência da Justiça ao mundo da política?
Ministra - Para ascender na carreira, o juiz precisa dos políticos. Nos tribunais superiores, o critério é única e exclusivamente político.

Veja - Mas a senhora, como todos os demais ministros, chegou ao STJ por meio desse mecanismo.
Ministra - Certa vez me perguntaram se eu tinha padrinhos políticos. Eu disse: ´Claro, se não tivesse, não estaria aqui´. Eu sou fruto de um sistema. Para entrar num tribunal como o STJ, seu nome tem de primeiro passar pelo crivo dos ministros, depois do presidente da República e ainda do Senado. O ministro escolhido sai devendo a todo mundo.

Veja - No caso da senhora, alguém já tentou cobrar a fatura depois?
Ministra - Nunca. Eles têm medo desse meu jeito. Eu não sou a única rebelde nesse sistema, mas sou uma rebelde que fala. Colegas que, quando chegam para montar o gabinete, não têm o direito de escolher um assessor sequer, porque já está tudo preenchido por indicacão política.

Veja - Há um assunto tabu na Justiça que é a atuação de advogados que também são filhos ou parentes de ministros. Como a senhora observa essa prática?
Ministra - Infelizmente, é uma realidade, que inclusive já denunciei no STJ. Mas a gente sabe que continua e não tem regra para coibir. É um problema muito sério. Eles vendem a imagem dos ministros. Dizem que têm trânsito na corte e exibem isso a seus clientes.

Veja - E como resolver esse problema?
Ministra - Não há lei que resolva isso. É falta de caráter. Esses filhos de ministros tinham de ter estofo moral para saber disso. Normalmente, eles nem sequer fazem uma sustentação oral no tribunal. De modo geral, eles não botam procuração nos autos, não escrevem. Na hora do julgamento, aparecem para entregar memoriais que eles nem sequer escreveram. Quase sempre é só lobby.

Veja - Como corregedora, o que a senhora pretende fazer?
Ministra - Nós, magistrados, temos tendência a ficar prepotentes e vaidosos. Isso faz com que o juiz se ache um super-homem decidindo a vida alheia. Nossa roupa tem renda, botão, cinturão, fivela, uma mangona, uma camisa por dentro com gola de ponta virada. Não pode. Essas togas, essas vestes talares, essa prática de entrar em fila indiana, tudo isso faz com que a gente fique cada vez mais inflado. Precisamos ter cuidado para ter práticas de humildade dentro do Judiciário. É preciso acabar com essa doença que é a ´juizite´.”

21 de outubro de 2010

Mais um golpe de motoqueiro

Não sei você, mas toda vez que percebo uma moto próxima ao carro que dirijo já fico apreensivo. Talvez seja pelas notícias que vemos diariamente dos ilícitos cometidos por motoqueiros. Embora tenha ciência de que a predominância dos motoqueiros é de pessoas honestas e trabalhadoras, recomendo ficar alerta, isso porque, após ler um e-mail enviado por uma pessoa confiável, percebi a grande necessidade de cautela e malícia quando da ocorrência de acidentes com motoqueiros.

O golpe é o seguinte: o motorista está andando no seu carro (ou mesmo pode estar parado) e um motoqueiro vem e colide no veículo ao ponto de aparentemente causar danos a si próprio e a moto. Geralmente as escoriações na pessoa e os reparos na moto são de natureza leve, por isso, o golpistas justifica a desnecessidade de chamar ambulância ou até mesmo a polícia para prestarem socorro ao fato. No entanto, algum tempo depois, ajuizam ação de omissão de socorro, com base num Boletim de Ocorrência fraudulento (alegando que o motorista evadiu-se), pleiteando, pela via do acordo, indenização pela reparação de danos a moto e indenização pelos dias eventualmente não trabalhados, sob pena de condenação. Golpe de mestre, não?

Coibir esse tipo de conduta é dever de quem é passivo de sofrer efeitos advindos da má-fé. Mas, o que fazer para garantir o próprio direito? Primeiramente, pegue o nome do motoqueiro (lembre-se que pode ser falso, e se for problema dele), as suas características, o número da placa e, se tiver condições, tire foto (quase todos celulares tem a função de tirar foto) para servir de prova numa eventual necessidade. Em seguida, procedimento essencial é o registro de um Boletim de Ocorrência (o famoso BO) na delegacia mais próxima e quanto mais rápido possível, uma vez que o motoqueiro se utiliza da mesma "arma" com o fim de fundamentar a suposta omissão de socorro. Assim, certamente você se resguardará de qualquer imputação lhe atribuída de modo equivocado e fraudulento.

É melhor vir com a canjica quando o bandido tem a intenção de plantar o milho.

18 de outubro de 2010

Espiritismo e rito

Em virtude de debate surgido no estudo do ESME (Estudo Sistematizado da Mediunidade), senti a necessidade de reunir mais informações a respeito da assertiva de que dentro da religião Espírita não há rito.

Num primeiro instante, a discussão pairou sobre a acepção da palavra rito, da qual extraiu-se o entendimento de que seria uma sequência de etapas/momentos destinados ao alcance de um fim específico. Contudo, para os defensores da ideia de que não há rito no Espiritismo, àquela inteligência foi recharçada com o argumento de que essas etapas não passariam de mera organização do trabalho espírita. Certo é que saí com uma tremenda dúvida e resolvi pesquisar para saná-la.

A primeira fonte de pesquisa foi o dicionário Aurélio, no qual encontrei a seguinte definição sobre rito: "sm 1. As regras e cerimônias próprias da prática de uma religião. 2. Culto; religião. 3. Qualquer cerimônia sagrada ou simbólica."

Não satisfeito com o conceito dado pelo dicionário, busquei auxílio da web e na Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Rito) encontrei reforço sobre o tema, a saber: "O termo Rito tem vários sentidos. Rito é totalmente diferente de rituais. Muitas pessoas acham que essas duas palavras vêm do mesmo significado, mas rito e rituais têm significados diferentes. No sentido mais geral, um rito é uma sucessão de palavras, gestos e atos que, repetida, compõe uma cerimônia (religiosa ou civil, na maior parte das vezes). Apesar de seguir um padrão, o rito não é mecanizado, pois pode atualizar um mito e, assim, segue ensinamentos ancestrais e sagrados. É um conjunto de atividades organizadas, no qual as pessoas se expressam por meio de gestos, símbolos, linguagem e comportamento, transmitindo um sentido coerente ao ritual. O caráter comunicativo do rito é de extrema importância, pois não é qualquer atividade padronizada que constitui um rito. A palavra "rito" pode também designar tipo de velocidade no ritual de processo jurídico.

Ao seguir em direção a outra fonte, a qual relaciona-se diretamente com a doutrina espírita, encontrei um texto bastante elucidativo sobre o assunto, de autoria de Luiz Signates (http://www.gers.com.br/pag_artigos/artigos/o_espiritismo_e_os_ritos.pdf), no qual, de maneira corajosa e fundamentada, o autor defende a ideia de que há sim ritos na doutrina espírita, ainda que em discurso os espíritas neguem a sua existência.

Pois bem. Embora já tivesse opinião formada em 90%, o que inevitavelmente me levava à parcialidade, busquei novas informações para que confirmasse o meu entendimento de que há, sim, dentro da doutrina espírita rito, malgrado nos seja repassada a informação de sua inexistência. Deixo claro que o objetivo da presente análise não é sobrepôr uma convicção em detrimento de outra, mas atuar, exercitar e interpretar com racionalidade os ensinamentos difundidos em grupo de estudo.

Em sendo assim, é fato que o texto de Luiz Signates contribuiu em muito para o assentamento da ideia da existência de rito dentro da doutrina. Porém, ao pesquisar outras bases para reafirmar a minha convicção, percebi que em nenhuma das linhas do pentatêuco espírita (até onde sei e estudei) não há manifestação/indicação de que o Espiritismo está completo, formado, fechado, avesso à evolução ou à novas ideias. Pelo contrário, é recomendado que naquilo em que a ciência for capaz de contrariar aos princípios espíritas, que a sigamos. Ora, o que isso quer dizer?

É oportuno destacar que, até os dias atuais, a ciência não foi capaz de refutar as bases espíritas, o que nos leva a crer que seus princípios e ensinamentos não podem ser encarados como fraudulentos. Assim sendo, frisa-se que o Espiritismo não é dogmático (por sinal essa indiscutibilidade é elemento de formação à existência de rito), isso porque suas bases são alicerçadas pela tríade da filosofia, ciência e religião, o que já nos sugere inferir que a razão sobrepõe a todo e qualquer tipo de ação impensada e, portanto, o raciocínio intelectualizado, em predominância, nos leva a destinos inusitados.

Nesse esteio, é cabível lembrar que à época em que ocorreu a codificação da doutrina, não havia centro espírita (como se vê em grande número atualmente), tampouco a necessidade de sistematização de procedimentos para a realização de reuniões; talvez seja essa uma das explicações da declaração de inexistência de rito. Havia sim reuniões das quais o interesse pelo fenômeno suplantava a necessidade de aprendizado visando o aperfeiçoamento moral, o que não reclamava organização aos adeptos.

Outro ponto que levanto como bandeira solitária é que, embora o rito esteja presente, em sua essência, o rito ("[...]sucessão de palavras, gestos e atos que, repetida, compõe uma cerimônia[...]") não é elemento básico para que o espírita possa atingir os seus objetivos pessoais dentro da religião. É clara a desnecessidade de um intermediador, de palavras ditas sem contexto/finalidade e de movimentos repetitivos sem funcionalidade, uma vez que, toda e qualquer ação para atingir o fito principal propagado pela doutrina (evolução moral) decorre e depende, única e exclusivamente, do próprio indivíduo. Dessa forma, não há necessidade de local específico, procedimentos padronizados ou qualquer outra coisa nesse sentido. Assim, não fica difícil concluir que não há "procedimentos padrões" para o estabelecimento de comunicação com Deus; há sim uma preparação, peculiar a qualquer forma de concentração, para a fixação de uma interface com a divindade.

Por fim, ressalto que a minha opinião sobre este assunto não reflete a inteligência da predominância, tampouco tem o condão de modificar o que já está fixado nos ensinamentos espíritas. Porém, por saber que a religião não é dogmática e felizmente nos permite o exercício da fé raciocinada, penso que a declaração contrária aos seus ditames em nada desmerecerá os seus princípios, pelo contrário, só vem reforçá-los.

9 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 e as eleições

Um filme fantástico e apropriado à uma época de escolha de representantes políticos.

Tropa de Elite 2 ilustra de forma impecável a realidade na segurança pública nacional, destacando os personagens que realmente impossibilitam a efetividade e a garantia de segurança pública à população.

Com uma temática bem diversa do primeiro filme, uma vez que os embates expostos em demasia no cotidiano dos policiais do BOPE foram suplantados e transferidos à esfera do planejamento da segurança pública, o Capitão Nascimento, que virou Coronel, ao ser elevado ao posto de Subsecretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, nas melhores das intenções, acaba por defrontar-se com um sistema de segurança gangrenado no qual os interesses interligados de políticos, policiais corruptos e milicianos são os que prevalecem.

O desfecho da história não contarei, até porque não quero frustrar as expectativas daqueles que ainda não assistiram ao filme. Porém, afirmo que a película trata de um assunto importantíssimo à sociedade, de forma direta e transparente, de modo que, aquela sensação de inexistência de fatos ou propaganda de que haveria uma superlativação dos acontecimentos, os quais são frequentemente difundidos pelos políticos, são bem mais reais do que se imagina e escancaram o tamanho da corrupção existente dentro da política e da polícia.

No contexto do filme, vi a denominação e a correlação dada a CPMF como algo interessante. Lembra da CPMF? Lembra de qual era o propósito de sua criação? Você viu algum investimento palpável na saúde pública? Então, a mesma terminologia dada à "contribuição temporária" que seria para auxiliar a saúde pública e acabou servindo de alimento à corrupção, no filme é dada para rotular uma Comissão destinada ao Policial Militar Filho da puta, isto é, comissão direcionada aos policiais corruptos que trabalhavam em favor de interesses próprios e, por consequência, na colheita de votos aos seus comparsas políticos.

Certo é que os tiros do primeiro filme foram sagazmente trocados por uma abordagem e ótica políticas, as quais, de certo modo, acredito que poderão instigar os eleitores a pensarem bem em quem votar, já que restou claro que quem acaba sendo o maior prejudicado é o cidadão, tanto por financiar uma corrupção colossal, quanto, no pior das vezes, pagando com a própria vida.

8 de outubro de 2010

Cotidiano sentimental

Divido o texto do psicólogo e jornalista Léo Rosa de Andrade que comenta de modo interessante sobre as"coisas da vida normal". Boa leitura.

Coisas da vida normal (Léo Rosa Andrade)

A relação entre duas pessoas, o dia a dia de um casal forma cumplicidades, cria segredos, mostra por dentro, suprime inibições. Depois de algum tempo, segundo me contam, na vida íntima de um par quase tudo está exposto por um diante do outro. Não se trata de perder a vergonha. Parece que a vergonha acaba ficando sem sentido. Ora, vergonha é escrúpulo e falta de confiança em si, o que leva à repressão de grandes e pequenas vontades. O cotidiano vai dando jeito nessas coisas.

De fato, o cotidiano vai criando uma moralidade doméstica, com códigos compreensíveis pelo casal, e essa moralidade doméstica dilui a moralidade individual das partes que gozam de intimidade. As partes se sabem, com o que isso tem de bom e de mau. Já ouvi que entre a porta da sala e a da cozinha há mais segredos do que entre o céu e a terra. Esses segredos, claro, são para os de fora, que dentro de casa basta prestar atenção aos detalhes que uma parte saberá o que quiser e o que não quiser saber da outra. Os delicados jeitinhos ou as bardas de cada qual falam por si.

Cada parte está exposta à outra por muitas vezes, por muito tempo. A moral individual aberta é exposição plena. E mais do que a moral, de tanto se expor, expõe-se, também, a compostura dos modos. A correção de maneiras vai recebendo licenças, e não demora muito se vai abandonando a barriga, a depilação, a tampa do bacio, os gazes, o palavreado. Fica-se, e o que é pior, com licença de ficar, relaxado. O exibir o melhor de si transforma-se em desapreço esculachado. E não é menosprezo por alguma desafeição; é por quedar-se desatento, por esquecer-se de cuidar e de cuidar-se. É só descuido.

Não sou muito de conselhos, mas recomendei a uma menina amiga minha: vai viver com alguém? Mantenha o nível. Se gerar uma expectativa alta, trate de manter o estado de coexistência elevado. A vulgarização do comportamento no contubérnio devasta a sensação do belo, do clima amoroso, da graça de conviver. É a estética do desapaixonado, inclusive por si próprio. Se o olhar-se no espelho já não acorda Narciso, não acorda mais nada. Ninguém se interessa pelo olhar do outro se não se interessa, antes, por olhar-se a si. Quero que o outro aprecie o que eu aprecio em mim.

Um conhecido contou-me um causo sobre intimidade e apreciação: o casal já não se curtia. Ele não fazia mais a barba do rosto que ela gostava de alisar; ela não fazia os pelos da perna que ele gostava de afagar. Ninguém mais passeava a mão pelo corpo de mais ninguém. A coisa ia de ruim para pior. Perdurava o silêncio, a televisão ainda salvava a situação. O problema agravou-se exatamente por causa disso, a televisão. O filme tinha rapazes bonitos e cenas carinhosas. Havia sexo. Ela, por qualquer razão, tomou-se de vontade de namorar.

A transa ia boa, mas, aí, o rosto dela: olhos fechados e um sorriso gostoso que há tempos não era assim. Não parou enquanto pensava, mas não dava para não pensar: não era com ele. Ela não estava com ele. Ele conhecia bem, sabia que aquele jeito entregue, sem pressa, era qualquer coisa que não era transar com ele. Para, não para, falou: abra os olhos. Ela nem se mexeu; ou não ouviu, ou não entendeu, ou não quis entender. Repetiu. Ela olhou, mas não desmanchou o sorriso. Ele foi macho: ou é comigo, ou não é com ninguém. Fica de olho aberto, tem que me ver. Ela ficou, mas pensou em quem quis, olhando para o teto. Dizem que, um com o outro, foi a última vez.

Lei da ficha limpa 4

Em época de eleição é sempre bom ler textos relativos ao processo eleitoral, certo? De certo modo sim, até porque quem tem interesse de saber o andamento eleitoral traz consigo o hábito de um verdadeiro cidadão.

Assim sendo, faço questão de dividir o artigo do Prof. Dr. Luiz Flávio Gomes, de título "Lei da Ficha Limpa e o império das surpresas: direito não é matemática", que recebi do newslatter do LFG.

Ressalta-se que o entendimento do professor não se divorcia do que vem sendo esposado e defendido neste blog, porém, como reforço, ele destaca pontos relevantes (e porque não dizer omissos?) sobre a atuação tímida, hesitante e irresoluta dos Ministros que compõem o Supremo Tribunal Federal.

Por fim, acredito veementemente que a "batata quente" deverá ser descascada pelo novo Ministro do STF, o qual, em sua primeira decisão, terá que agradar àqueles que o puseram lá.


Lei da Ficha Limpa e o império das surpresas: direito não é matemática (Luiz Flávio Gomes)

Três surpresas (dentre outras) ganharam protagonismo no julgamento, pelo STF, da Lei da Ficha Limpa. Elas comprovaram, uma vez mais, que o direito não é matemática. A primeira surgiu logo no seu princípio, quando o Presidente da Corte (ministro Cezar Peluso) levantou uma questão preliminar no sentido de que a lei não teria nenhum valor jurídico, em razão da existência de vícios formais no momento da sua tramitação no Senado Federal. O projeto foi aprovado inicialmente na Câmara dos Deputados e sua redação tornava inelegíveis os candidatos que “tenham sido condenados” por uma das infrações e na forma descrita na referida lei.

Esse texto foi modificado pelo Senado Federal por proposta do Senador Francisco Dornelles (PP–RJ) e a redação final transformou-se para “os que forem condenados”. De acordo com o ponto de vista do Presidente do STF teria havido uma modificação radical no projeto de lei e isso, de acordo com o processo legislativo constitucional vigente, exigiria o seu retorno para a Câmara dos Deputados. Não teria ocorrido um mero ajuste de redação, sim, uma alteração essencial no projeto.

Dois motivos nos levam a adotar posição contrária à do eminente ministro Peluso. Em primeiro lugar, a alteração da redação foi puramente formal. No ordenamento jurídico brasileiro nós encontramos incontáveis dispositivos legais que ora dizem “os que tenham sido condenados” e ora dizem os “que forem condenados”. Trata-se de questão estritamente formal, que não chega a permitir nenhum questionamento de inconstitucionalidade, por essa razão. Acrescente-se que qualquer que tivesse sido a redação sempre seria exigível uma interpretação por parte do Judiciário. Portanto, não parece acertado que o Supremo Tribunal Federal deixe de analisar o mérito da ação em julgamento, prendendo-se a aspectos formais. O que todos estamos aguardando é a sua interpretação final, que deve ser conforme a Constituição.

Em segundo lugar, no modelo processual brasileiro o juiz não pode atuar de ofício, salvo em situações extremamente peculiares e devidamente contempladas na lei, como é o caso da concessão de habeas corpus de ofício, em favor do réu, em casos de patente constrangimento ilegal contra a liberdade do indivíduo. Por força do sistema acusatório, que faz parte da essência do nosso Estado de Direito, o juiz somente pode atuar quando devidamente provocado. As partes, neste caso da lei da ficha limpa, não argüiram absolutamente nada relacionado à inconstitucionalidade formal. Logo, não nos parece acertado o argumento do ministro Peluso no sentido de que todos os ministros deveriam votar antes a questão da validade formal da lei.

O que mais importa e o que todo país está esperando é, sem sombra de dúvida, o julgamento do mérito da questão, ou seja, saber se a lei da ficha limpa é (ou não) aplicável às eleições deste ano de 2010. É isso que gerará grande repercussão nacional, porque muitos candidatos podem ser eleitos no próximo dia 3 de outubro e depois não terem condições de tomarem posse em seus cargos. A decisão do Supremo, de outro lado, pode também interferir no voto dos eleitores, na troca de candidatos e no resultado das eleições.

A segunda surpresa (até certo ponto previsível) foi o empate na votação (5x5). A terceira consistiu em o Ministro Peluso ter se recusado a votar pela segunda vez ou fazer valer o seu como “voto de qualidade” (“não tenho pendor para déspota”, teria dito). O julgamento foi suspenso e, logo em seguida, veio a notícia da renúncia da candidatura de Roriz. A ação pendente de julgamento final perdeu seu objeto. O STF, nesse caso, terá que firmar seu posicionamento em outra ação.

Não há dúvida, diante de todo exposto, que a decisão de mérito do STF continua sendo aguardada, até mesmo com muita ansiedade, por todos os que estamos atentos ao processo democrático brasileiro. De qualquer modo, uma coisa é certa: a lei é constitucional (isso já foi um avanço). Quem imaginou o contrário se frustrou. As possíveis soluções para o desempate são as seguintes: (a) fazer valer o “voto qualidade” do Presidente; (b) a proclamação contrária à pretendida (o pedido seria negado) e (c) aguardar o voto do 11º ministro (ainda não nomeado).

3 de outubro de 2010

Tiririca: mais de um milhão de votos.

São 21h e a apuração de votos no Estado de São Paulo ainda não terminou. No entanto, já há um fenômeno, um campeão de aceitação popular com vaga garantida na Câmara dos Deputados: Tiririca.

Desde que tive a notícia de que "o fenômeno" havia se candidatado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, pressentia que obteria êxito. Com slogans debochados e hilários, até mesmo demonstradores de total desconhecimento das funções que busca desempenhar, Tiririca acabou conquistando uma parte significativa de eleitores no maior reduto eleitoral do país. Mas, que propostas milagrosas ou convincentes foram capazes de persuadir mais de um milhão de pessoas? Pelo visto, nenhuma!

A meu sentir, essa aceitação "faaaaantardiga" é uma demonstração clara de protesto e descrença em relação à política nacional, sobretudo em relação aos que efetivamente fazem política: os políticos. Nada melhor do que colocar um verdadeiro palhaço no meio de outros artistas cirsenses e dentro de um circo, não?

Acredito que seja difícil alguém representar dignamente os seus eleitores quando, sequer, demonstra conhecimento básico e suficiente para travar um minuto de debate sobre qualquer assunto que interesse e seja em benefício popular. Arrancar risos não é a mesma coisa do que auxiliar na criação de leis em prol da sociedade. Realmente a Casa do Povo, como é conhecida a Câmara dos Deputados, será digna de receber um comediante que, na minha visão, em nada contribuirá à sociedade.

Esses mais de um milhão de votos, que creio serem mais de protesto que pela competência do candidato, por um lado são capazes de exprimir uma revolta contra àqueles que deveriam nos representar e não fazem, ao passo que por outro acabam por consentir que, em mais quatro anos, um de seus representantes na Câmara dos Deputados só terá o papel de mero expectador.

O voto é uma arma importante e as consequências políticas de nosso país decorrem das decisões daqueles em que votamos. Desta forma, nada melhor do que exercer a cidadania de modo consciente e acreditar que o candidato no qual se vota poderá contribuir para o progresso coletivo. Será que o Tiririca é um desses? Penso que não, pois em um de seus vídeos já deixa claro que saberá muito bem como "ajudar" a sua família.

Por fim, acho que o Tiririca recebeu mais votos do que vendeu CD na vida. Boa sorte, paulistas!

30 de setembro de 2010

Abono de falta via atestado médico

O cotidiano de um advogado é recheado de conversas, seja com colegas de profissão, servidores públicos, Juízes, Desembargadores, seja com populares e/ou clientes que nos abordam. Nesses diálogos, os assuntos e problemas são diversos, mas, em predominância, acabam recaindo sobre o Direito.

Outro dia, em meio a uma conversa no Fórum, fui abordado por um colega de profissão que me fez uma pergunta, a qual respondi de modo genérico. Aquela resposta não me satisfez, por isso motivei-me a ir atrás de mais informações sobre o assunto.

A questão trazida pelo colega tratava sobre a validade de atestado médico apresentado pelo empregado, para fins de abonar falta decorrente de doença, e da possibilidade de o empregador, por meio de seu médico do trabalho, reexaminar o que outro médico anteriormente atestou, podendo, inclusive, descontar do salário do empregado o valor dos dias não trabalhados.

Na pesquisa realizada defrontei-me com leis antigas, as quais, regulam o assunto até os dias atuais, sendo apoiadas e reforçadas pela Lei 8.213/95. No entanto, o entendimento é coerente, tanto para o empregador quanto para o empregado, mas basta cada um agir nos termos da lei, senão veja-se:

O atestado médico tem o objetivo de justificar as faltas do empregado ao serviço em decorrência de incapacidade para o trabalho provocada por doença ou acidente de trabalho. Todavia, para ser aceito como justificativa de ausência ao trabalho, é necessário que seja observada uma ordem de preferência prescrita em lei. Mas onde está essa ordem de preferência prescrita em lei?

A Lei 2.761/56 criou uma escala hierárquica, ou melhor, uma ordem preferencial de atestados, de modo que a doença do empregado só poderá ser comprovada por meio de atestado expedido por médico na seguinte ordem:

a) da Previdência Social;
b) do SESI ou SESC;
c) da empresa ou conveniado com a empresa;
d) a serviço de repartição federal, estadual ou municipal;
e) de convênio sindical; e
f) de preferência do empregado.

Em sendo assim, em uma primeira análise, conclui-se ser legal o empregador exigir que o atestado médico trazido pelo empregado, emitido por médico de sua preferência, seja "revalidado" por médico do trabalho da própria empresa, uma vez que, de acordo com a ordem preferencial dos atestados, aquele se encontra em última posição em relação ao médico do trabalho do empregador.

Tão verdade é o raciocínio supra que o TST, na Súmula nº 15, dispôs que "a justificação da ausência do empregado motivada por doença, para a percepção do salário-enfermidade e da remuneração do repouso semanal, deve observar a ordem preferencial dos atestados médicos, estabelecida em lei".

Contudo, a questão ética relativa à reavaliação do médico do trabalho do empregador de documento que tem fé pública e foi expedido por outro médico, devidamente habilitado, foge ao tema em apreciação, porém não deixa de indicar a vontade do empregador de constatar uma hipotética má-fé por parte do empregado. Certo é que, caso haja esse "reexame" do atestado pelo médico do trabalho do empregador, este ficará responsável por emitir um novo parecer sobre a situação do empregado.

Por outro lado, havendo previsão em convenção, acordo coletivo de trabalho ou até em regulamento interno da empresa, o empregador estará obrigado a aceitar qualquer atestado apresentado pelo empregado, independente de ordem de preferência estabelecida na lei.

Nesse esteio, é pertinente destacar que os empregadores que nunca observaram a ordem preferencial estabelecida em lei, razão que aceitaram por mera liberalidade todo e qualquer atestado médico apresentado pelo empregado, não poderão exigir a sua observância e o seu cumprimento, sob pena de se configurar uma alteração contratual prejudicial ao empregado, violando o artigo 468, da CLT, o qual dispõe: "nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, e ainda assim desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia".

Em sendo assim, infere-se que não há qualquer objeção legal trabalhista (quem sabe ética?) em relação ao reexame de um atestado médico por parte do médico do trabalho do empregador. Porém, constata-se que essa exigência, isto é, a reapreciação deve acontecer desde o início das atividades da empresa e, claro, se não houver previsão contrária em convenção, acordo ou regimento interno da empresa. Caso o empregador, uma única vez, tenha aceitado o atestado de médico escolhido pelo próprio empregado, não fazendo qualquer tipo de objeção, não poderá modificar o seu procedimento, sob pena de caracterizar alteração contratual em prejuízo ao empregado, nos termos do artigo 468, da CLT.

Acredito que meu colega de trabalho ficará feliz em receber esse parecer de graça. :)

29 de setembro de 2010

Caridade

O tema é recorrente e alfinetador na vida de quem acredita que somente por meio do trabalho voluntário e espontâneo, em benefício de outrem, é que se consegue atingir a verdadeira felicidade.

Servir de modo a não esperar nada em troca é o primeiro passo em busca de uma evolução espiritual consistente. Não há necessidade de grandes valores financeiros para ser entitulado pessoa caridosa. Na verdade, quem a pratica de coração jamais quer holofotes. Muitos estão aí precisando de nossa ajuda. O que certamente há é a necessidade de mudar posturas e ter a iniciativa de ajudar aos que precisam com as ferramentas que nos foram dadas de graça e, por vezes, não as usamos: olhos para encantar, dentes para serem mostrados, boca para pronunciar palavras de alento e motivação e, sobretudo, braços para serem entrelaçados.

Abaixo aos debates religiosos... Até porque crença não se discute; se acolhe, se adere e se aceita. Já aderi a minha, e você? Segue breve poema sobre caridade, o qual, em meio a acordes musicais, torna-se cativante e encantador.

CARIDADE (Lopes Júnior e Geysa Lopes)

Olhe pra dentro de si
Feche os olhos então
Escute o seu coração querendo servir

Basta um simples olhar
Ou um sorriso para acalmar
A dor de quem precisa não pode esperar

Caridade se faz ao abraçar
Ou ouvindo ao irmão sem o julgar
O importante é servir sem nada esperar

Amai-vos irmãos!
Instrui-vos irmãos!
Fora da caridade
Não há salvação.

25 de setembro de 2010

Maternidade

Tenho observado que a maternidade é uma condição cada vez mais buscada e almejada pelas mulheres, mesmo que as pesquisas indiquem que o índice de natalidade siga rumo decrescente.

A glória de gerar um ser, assim como a satisfação de orientar seus primeiros passos são atribuições que as mulheres, em predominância, têm o maior prazer em realizar. Por outro lado, a individualidade e as concessões naturais de quando não se é mãe entram em choque e são bases para comparação de um novo momento ao universo feminino. Ao fim, a satisfação é inegável.

Nesse contexto, posto um texto que li no perfil de uma amiga no orkut e que, após uma busca para saber de quem era a autoria, acabei descobrindo ser de Patrícia Vaughan, do original "Before I Was a Mother", traduzido por Silva Schmidt (http://www.brasileiros-na-alemanha.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=96:feliz-dia-das-maes&catid=211:comemorativos&Itemid=211).

ANTES DE SER MÃE (Patrícia Vaughan - Before I Was a Mother)

Antes de ser mãe eu fazia e comia os alimentos ainda quentes. Eu não tinha roupas manchadas. Eu tinha calmas conversas ao telefone.

Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama. Eu não me esquecia de escovar os cabelos e os dentes.

Antes de ser mãe eu limpava minha casa todo dia. Eu não tropeçava em brinquedos nem pensava em canções de ninar.

Antes de ser mãe eu não me preocupava se minhas plantas eram venenosas ou não. Imunizações e vacinas eram coisas em que eu não pensava.

Antes de ser mãe ninguém vomitou nem fez xixi em mim, nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas.

Antes de ser mãe eu tinha controle sobre a minha mente, meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos.

Eu dormia a noite toda.

Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções.

Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.

Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.

Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.

Antes de ser mãe eu nunca segurei uma criança só por não querer afastar meu corpo do dela.

Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor.

Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida.

Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim. 

E não sabia que adoraria ser mãe.

Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu próprio corpo.

Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto.

Eu não conhecia esse laço que existe entre a mãe e a sua criança.

Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante.

Antes de ser mãe eu nunca me levantei à noite a cada 10 minutos para me certificar de que tudo estava bem.

Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor, a dor e a satisfação de ser uma mãe.

Eu não sabia que era capaz de ter sentimentos tão fortes.

Por tudo e, apesar de tudo, obrigada, Deus, por eu ser agora um alguém tão frágil e tão forte ao mesmo tempo.

Obrigada por permitir-me ser Mãe!

22 de setembro de 2010

Cifrões x Moral

Dorival Júnior, técnico, ops!, ex-técnico do Santos foi demitido porque queria instituir respeito, disciplina e ordem em sua equipe. Se é assim, qual a razão da dispensa? Segundo os dirigentes do "Santástico", foi por insubordinação. Ora, ora...

Seguindo o mesmo raciocínio, qual seria a razão para a "suposta demissão" do "super-hiper-mega-sobrenatural-incomum" Neymar, quando se observa que, em diversas ocasiões nos últimos jogos o atleta tem se comportado como um deus, ridicularizando colegas de profissão e causando inúmeros problemas tanto para a equipe quanto para imagem do Santos? Nenhuma explicação, né, senhores dirigentes? Ah, tem sim: "ele é um garoto em formação, e em razão da carga de expectativa lançada sobre a sua carreira, tem reagido de maneira mal educada, pretenciosa, orgulhosa, esnobe e arrogante. É algo natural, por isso destinamos um psicólogo para acompanhá-lo e ajudá-lo a suplantar essa fase". Hilário!

Ora, René Simões, técnico adversário que acompanhou as "palavras doces" do super Neymar à Dorival Júnior, bem comentou que era necessário um freio para que o megastar da Vila Belmiro não se tornasse num monstro. Mas não, isso é bobagem. Inclusive o empresário de Neymar saiu em sua defesa dizendo que o técnico deveria se preocupar em retirar o Atlético - GO da zona de rebaixamento em vez de "atacar" e sujar a carreira do atleta. Atacar? Sujar carreira? Mas como assim? Não foi o Neymar quem atacou? Ele é o principal responsável por tudo isso, porém, percebe-se que as pessoas preferem abafar o caso.

Pelo menos o super atleta teve a "humildade" de pedir desculpas a todos os envolvidos em seu surto.

Enquanto isso no CT Rei Pelé, Dorival Júnior aplicava a medida coercitiva-moral ao jogador. Este treinou separado e assistiu ao jogo que estava suspenso da cabine do estádio. Às vésperas do clássico contra o Corinthians, o técnico Dorival é perguntado se Neymar persistiria sob suspensão. Sua resposta foi sua carta de demissão "por justa causa", já que, ao sentir dos dirigentes do Santos, o técnico agiu com insubordinação ao declarar que o mega-atleta permaneceria suspenso, pois haviam acertado em reunião prévia que o jogador só ficaria um jogo no gancho.

Ai, ai... Numa visão legalista o Neymar já deveria ter sido despedido há muito tempo do Santos. Embora os desportistas tenham legislação própria, e aplicando a norma geral, não precisa ser especialista pra perceber que o atleta se enquadra, no mínimo, em três situações dispostas no artigo 482, da CLT (artigo que dispõe sobre as condutas ensejadoras de justa causa), artigo este que, pelo que me parece, foi utilizado para fundamentar a demissão de Dorival Júnior (artigo 482, "h", CLT). Por sinal, a conduta desrespeitosa com o técnico e com o capitão do time é motivo para justa causa.

Agora sabe porquê o Neymar não foi demitido? O cara gera milhões em dinheiro ao Santos. Então, pra quê se preocupar com esse negócio de conduta moral instituída por um "mero" técnico? Patrocinadores são quem sustentam a equipe e, presumo, devem ter chiado ao observar que o garoto-estrela, vendedor das marcas que integram a camisa do Santos, estava proibido de jogar, no banco, sem evidenciar seus investimentos. Acredito que os cifrões foram mais fortes que a busca pelo equilíbrio moral dentro da equipe. Nessa queda de braço Neymar saiu vitorioso, depois não querem que a estrela vire um monstro.

Solidarizo-me ao Dorival Júnior, até porque, a meu sentir e no de muitos, agiu como deveria quando se está num cargo de coordenação e gestão. Infelizmente é mais fácil rescindir um contrato com um técnico do que com um atleta que gera milhões a equipe. Porém, ficou à vista que a moral é característica desprezível quando se está em jogo interesses financeiros, sobretudo quando são milhonários.

Sei que Dorival Júnior em breve arrumará um time para coordenar, até porque demonstrou ser um técnico competente e campeão. Contudo, espero que o Neymar aprenda que a sua conduta reprovável acabou por resvalar diretamente na dispensa de um profissional reconhecido, o que, para quem tem consciência, é de causar compunção.

Cifrões vão e vem. A moral que vem jamais se vai.

Pagamento por missas

Enquanto esperava a chegada de minha vez no consultório médico, detinha-me a observar o que o jornal de segunda-feira, dia 20/09/2010, trazia de boas informações. Em predominância notava que os assuntos relativos às eleições estavam por toda parte, porém, na seção destinada a opinião dos leitores, um artigo escrito por Célio Pezza, de título "Missas Pagas?!", chamou-me a atenção.

Depois de ler o referido artigo, questionei-me: em vez de "uma pequena contribuição" para ajudar nos custos de uma missão religiosa, por que não há gratuidade visando a congregação de seus adeptos? por que a necessidade de manter um patrimônio colossal, quando, pelos princípios cristãos, o adequado seria a partilha objetivando a assistência dos mais necessitados?

Nada contra as doações realizadas pelos religiosos à sua religião, até porque é uma ação espontânea e voluntária. Porém, é oportuno destacar que àqueles recursos, em essência, são repassados para que se ponha em prática projetos em prol daqueles que realmente precisam e não para acúmulo de riqueza. Os tempos mudaram e o verdadeiro religioso é quem trabalha mais na caridade do que na ostentação.

Abaixo segue a íntegra do texto, o qual, sem dúvida alguma, merece reflexão de todos que percebem a completa dissociação entre dinheiro e religiosidade. 

MISSAS PAGAS?! (Célio Pezza* - http://cpezza.com/wordpress/)

Neste mês de Setembro de 2010, entre os dias 16 e 19, o Papa Bento XVI vai estar na Grã-Bretanha, onde rezará algumas missas. Até aí, tudo bem. O que nos causou espanto foi o fato de que os fiéis terão que pagar para assistir as missas! Isto mesmo. A mais barata será uma missa campal realizada no Hyde Park (um parque ao ar livre de Londres) e o ingresso custará 5 libras (R$14,00). Em Glasgow na Escócia custará 20 libras (R$ 55,00) e a mais cara será em Birmingham, no centro da Inglaterra ao preço de 25 libras (R$ 70,00).

O Vaticano diz que é “uma simples contribuição para as despesas gerais” e quando foi questionado pelos próprios padres de inúmeros países, preferiu o silêncio.

É estranho, pois numa época em que a Igreja Católica perde mais e mais adeptos a cada ano, uma medida descabida destas fatalmente afastará ainda mais aqueles que pensarem sobre o assunto.

Esta medida descabida nos faz voltar aos primórdios da igreja católica, quando no ano de 593, o papa Gregório criou a doutrina do purgatório e criaram missas pagas para aliviar o sofrimento das almas que lá estavam. Por volta de 1.150 criaram as “indulgências” com o fim de reduzir o tempo no purgatório. Naquela época começaram a vender relíquias entre elas “pedacinhos da cruz de Cristo”. O dominicano João Tetzel ficou famoso por negociar documentos de indulgências da Igreja, alguns deles dando o direito antecipado de pecar. Em 1410 o papa João XXIII (não confundir com o papa João XXIII mais recente) cobrava impostos dos prostíbulos, os quais faziam parte do orçamento do Vaticano.

O papa Leão X continuou com as “indulgências” e em 1518 utilizou cofres nas igrejas com os dizeres absurdos tais como: “Ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma desprega do purgatório e voa para o paraíso”!

Quanto às finanças atuais, em Julho o Jornal do Vaticano divulgou algumas cifras referentes ao balanço de 2009:

Receitas de 2009 = 250 milhões de euros (R$ 570 milhões)

Despesas de 2009 = 254 milhões de euros (R$ 580milhões)

Receitas do Óbulo de São Pedro (donativos destinados ao papa) = 65 milhões de euros (R$ 150 milhões)

Receitas das dioceses = 25 milhões de euros (R$ 57 milhões)

Embora não se tenha o número certo, estima-se que o patrimônio da Santa Sé é acima de 15 bilhões de euros (35 bilhões de reais) entre investimentos em bancos, seguros, participações em empresas de produtos químicos, aço, construção civil, imóveis e obras de arte. Além destes investimentos, existem todas as terras por todo o mundo, das quais não temos os valores.

Estes números mostram que não seria necessário cobrar ingresso para as missas do Reino Unido e imagino que qualquer cristão, independente de ser ou não católico, irá questionar esta decisão.

A Igreja perde seus fiéis a cada ano e passa por uma forte crise moral, com recentes escândalos de pedofilia por todo o mundo e tendo que pagar pesadas indenizações e ações judiciais. Neste cenário conturbado imagino que a celebração de missas pelo papa seria um bom momento de ganhar adeptos e não de aumentar a distância entre os fiéis e a Igreja. Pagamos ingressos para shows, onde se remunera o artista, mas acho que não deveria ser o caso. Espero que, até o dia destas missas, uma luz ilumine os mandatários políticos da Santa Sé e cancelem o pagamento de ingressos, para o bem daqueles poucos que acreditam e gostariam de estar perto do papa durante uma missa e não tem dinheiro para pagar por este privilegio.

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* Escritor, com formação em química e administração de empresas.

19 de setembro de 2010

Signos da Pedofilia


Segundo a Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedofilia), a pedofilia (também chamada de paedophilia erótica ou pedosexualidade) é a perversão sexual, na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes (ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade) ou para crianças em puberdade precoce. A palavra pedofilia vem do grego παιδοφιλια (paidophilia) onde παις (pais, "criança") e φιλια (philia, "amizade", "afinidade", "amor", "afeição", "atração", "atração ou afinidade patológica" ou "tendência patológica", segundo o Dicionário Aurélio). De acordo com o critério da OMS, adolescentes de 16 ou 17 anos também podem ser classificados como pedófilos, se eles tiverem uma preferência sexual persistente ou predominante por crianças pré-púberes pelo menos cinco anos mais novas do que eles.

Esse desvio sexual, segundo classificação da OMS, é considerado pela legislação pátria crime hediondo praticado contra crianças e adolescentes com até 14 (quatorze) anos incompletos. Contudo, não há o tipo penal "pedofilia", o que há é o enquadramento da conduta praticada pelos pedófilos ao disposto no artigo 217-A do Decreto-Lei nº 2.848/40 (Código Penal Brasil), também conhecido como estupro de vulnerável. A pena para os condenados pode variar de 08 (oito) a 15 (quinze) anos de reclusão.

Como todo cidadão consciente de seu papel dentro da sociedade, fiz essa breve introdução para alertar sobre a informação de que os pedófilos têm signos para se identificarem e se comunicarem. Isso mesmo! Os pedófilos ostentam símbolos dos quais servem para demonstrarem seus gostos e "preferências".



Segundo uma pesquisa realizada pelo FBI, a imagem acima ilustra alguns dos símbolos que os pedófilos gostam de evidenciar, os quais, examinados detidamente, verifica-se que são "[...] sempre, compostos pela união de 2 semelhantes, um dentro do outro. A forma maior identifica o adulto, a menor a criança. A diferença de tamanho entre elas demonstra a preferência por crianças maiores ou menores. Homens são triângulos, mulheres corações" (http://br.guiainfantil.com/pedofia-e-abuso-sexual/431-os-simbolos-da-pedofilia-.html).

Em sendo assim, cabe a todos os cidadãos o dever de vigilância sobre os símbolos esposados e, principalmente, sobre quem os portam ou fazem uso. Se de fato há esse tipo de comunicação entre esses criminosos, é importante ficarmos atentos para não sermos "cúmplices" de ocorrências desabonadoras das quais sintamos remorso por não termos sido um pouco mais atentos.

Há uma máxima religiosa, a qual visa a proteção espiritual, que diz: "orai e vigiai". Neste caso, penso ser cabível para a proteção de nossas crianças o termo "observai e denunciai".

Não a pedofilia! Denuncie! Ligue 100!

8 de setembro de 2010

Lei da Ficha Limpa 3

Conversar com pessoas antenadas com os acontecimentos nacionais e internacionais é um meio eficiente de manter-se atualizado em determinados assuntos quando por motivos quaisquer não se pode acompanhar os noticiários. Assim, em diálogo informal e descontraído numa reunião de amigos, fui informado de uma decisão que me deixou com grande pesar e muito receoso com o destino de nosso Estado democrático de direito: as decisões do TSE em relação às candidaturas deferidas pelos TRE's dos supostos fichas sujas.

No dia 01/09/2010, o Ministro recém-chegado ao TSE, Hamilton Carvalhido, liberou as candidaturas de Roseana Sarney e Sarney Filho com o entendimento de que àquelas não poderiam ser indeferidas tendo por fundamento a Lei da Ficha Limpa, uma vez que as condenações anteriores de multa a ambos, imposta pelo TRE-MA, não tem previsão entre as causas de inegibilidade apontadas na Lei da Ficha Limpa.

A inteligência do Ministro sinaliza uma flexibilidade e complacência paternas da qual a concessão de não impedir a saída do filho da própria casa, dando-lhe mais uma chance, refletiria a vontade de não vê-lo mais uma vez equivocar-se. Todavia, a realidade apresenta-se de forma diversa, pois a candidata Roseana Sarney foi multada novamente pelo TRE-MA, situação que em nada impedirá de seguir na disputa eleitoreira, uma vez que a Lei da Ficha Limpa, criada para obstar a entrada de pessoas no Legislativo com um passado desonroso e indigno, não tem o condão de tratar esse tipo de ocorrência. Ora, ora!

Aprendi na graduação que toda lei tem seu espírito, e o da Ficha Limpa é mais do que notório para toda a sociedade, já que foi esta quem teve a iniciativa de criá-la, tudo em razão de tamanhas barbáries que aconteciam (e acontecem) decorrentes das condutas de políticos. A sociedade clama por justiça, porém, se as condições de elegibilidade dos candidatos não forem estrita e criteriosamente avaliadas, de nada valerá o esforço da sociedade em ver refletida na justiça o resultado de suas aspirações.

Por fim, espero que seja interposto recurso da decisão do Ministro Hamilton Carvalhido, isto porque a reapreciação ficaria sob a responsabilidade do plenário do TSE e nada melhor do que um colegiado de Ministros para demonstrar se o entendimento monocrático ora refutado é acompanhado ou desprezado.

Vamos aguardar.

6 de setembro de 2010

Nosso Lar - O filme


Retratar o conteúdo de um livro em breve espaço de tempo como ao destinado a um filme, normalmente é um desafio que alguns diretores cinematográficos não gostam de enfrentar. Todavia, sabe-se que o tamanho do risco é diretamente proporcional ao do êxito, e este é incontestável quando se fala em Nosso Lar, o filme.

Levando às telas dos cinemas a história do médico André Luiz, o qual, em vida, abusou do consumo de álcool, foi partidário da luxúria e era completamente descrente de qualquer continuidade de vida após a morte, o filme Nosso Lar retrata detidamente as bases da doutrina espírita, principalmente em relação aos princípios da causa e efeito e da reencarnação, deixando clara a responsabilidade que todo ser humano possui em seus atos quando encarnados e a incumbência que todos têm de buscar a contínua evolução espiritual/moral.

Embora alguns críticos profissionais ressaltem em seus artigos o investimento financeiro dispensado e o esmero técnico dos efeitos visuais que foram capazes de reproduzir o lar espiritual, é notório que o filme foi capaz de transmitir o que realmente é importante e merecedor de reflexão, sobretudo para todos aqueles que não são espíritas e, por curiosidade ou para aprender um pouco mais sobre a doutrina, vão assisti-lo.

Filmes com temas religiosos, em predominância, causam inúmeras críticas, as quais se estabelecem em razão da incompreensão e intolerância de credos. Deste modo, observa-se que Nosso Lar, ainda que tenha sido baseado em uma obra espírita, de modo algum faz distinção entre pessoas ou religiões em seu contexto, uma vez que o objetivo precípuo é a conscientização de que há vida pós-morte e que cada ser humano é responsável direto por sua evolução espiritual/moral.

Nosso Lar é o filme que ilustra a necessidade de mudança de comportamentos no cotidiano terrestre visando à evolução do lado espiritual. Aqui não se refere ao termo espiritual de forma restrita, até porque na essência a busca é de evolução moral. Religião e moral não são diretamente ligadas, mas uma moralidade avançada demonstra, no mínimo, uma espiritualidade trabalhada.

A reencarnação é real e natural para quem segue a doutrina espírita, contudo, quem assistiu ao filme e, por qualquer razão não compactua com a ideia de que haja possibilidade de existência do que foi retratado, sugiro a seguinte reflexão: caso exista a alternativa de vida pós-morte e, também, da possibilidade de responder pelos atos presentes em vidas futuras, será que eu estaria conduzindo a minha vida material em conformidade aos valores morais cristãos a ponto de ser digno de amparo espiritual?

Independente de sua resposta, creio que cedo ou tarde, algum "Nosso Lar" estará a aguardar a sua chegada.

30 de agosto de 2010

Lealdade


Recentemente li um livro que me deixou cheio de reflexões sobre a possibilidade de se utilizar, de modo mais intenso, mensagens psicografadas por médiuns como meio de prova no processo penal.

O livro "Lealdade" foi psicografado por Chico Xavier, pelo espírito de Maurício Garcez, e conta a história verídica de dois amigos inseparáveis que foram apartados em decorrência de um acidente com uma arma de fogo, levando à morte um deles. Esta situação ensejou a propositura de uma ação penal contra o suposto amigo-assassino, o qual, ao fim, foi considerado inocente pelo MM Juiz, tendo como um dos elementos de prova a intruir o processo uma mensagem do amigo que havia morrido, psicografada por Chico Xavier.

À primeira vista, e levando-se em consideração o princípio processual penal da verdade real, é no mínimo chocante uma absolvição ter sido embasada em uma psicografia. Contudo, é importante deixar claro que a sentença do Juiz não foi fundamentada unicamente sobre ótica da mensagem da vítima, a qual foi psicografada por Chico Xavier; outros elementos de prova que instruiram o processo foram considerados, principalmente o referente à caracterização da vontade de matar do suposto assassino, uma vez que este estava sendo denunciado por homicídio doloso (com vontade de matar).

O Dr. Orismar de Bastos, em sentença de vanguarda à época (1979), esclareceu que a decisão de absolver o réu foi detida não especificamente à psicografia da vítima (relatava de modo idêntico o que o suposto assassino havia declarado em seu depoimento à polícia), mas, principalmente, pelo Ministério Público não ter conseguido caracterizar o dolo, já que a ocorrência, ao seu sentir, decorreu de fato imprevisível, conclusão que acabou por afastar, também, o elemento culpa.

Observa-se que a postura do Magistrado em acolher e, inclusive, fazer referência em sua sentença a uma mensagem psicografada juntada aos autos, é um avanço significativo para a realização da plena justiça. Embora esse fato tenha ocorrido em 1979, não se vê atualmente julgados que façam alusão à comunicação espiritual, tampouco percebe-se que advogados instruam seus processos com elementos de prova tão importantes como o citado. Falta de fé na justiça ou de justiça na fé?

É notório que o mundo está passando por modificações libertadoras, o universo está exigindo de cada um de nós posturas mais humanas e revestidas de nosso elemento íntimo chamado fé. Assim, quase sempre os papéis que instruem as petições dos autos são compostos pela frieza estratégica de quem visa a vitória, porém, a crença em algo superior quase sempre serve de reflexo e trampolim à justiça.

Lealdade, hoje, amanhã e sempre.


27 de julho de 2010

A lei da Ficha Limpa 2


Com 5 votos a favor e 1 contra, o TRE-MA decidiu que a candidatura de Sarney Filho não carece de impugnação. Destaca-se que tal medida foi pleiteada pelo Ministério Público Eleitoral porque o referido candidato foi condenado e multado em 2006 por propaganda eleitoral, curiosamente pelo mesmo colegiado.

O entendimento que levou os juízes a decidirem de modo contrário a inteligência do TSE é de que, por tratar a inegibilidade tutelada na Lei da Ficha Limpa de uma pena, jamais poderia uma lei retroagir para prejudicar uma pessoa por um crime passado.

É importante ressaltar que o TSE, no mês de junho deste ano, firmou jurisprudência indicando que a lei é válida para condenações registradas mesmo antes da vigência da norma.

Nesse momento, resta ao MPE recorrer junto ao TSE, Tribunal que, caso haja a interposição do recurso, deverá decidir o futuro da candidatura de Sarney Filho.

Depois das liminares, surge entendimento contrário ao do definido pelo TSE... Pode haver isso? Pode. Cada Tribunal Regional Eleitoral tem a autonomia de interpretar a lei ao seu modo, no entanto, fica difícil de acreditar que a ficha limpa vingará efetivamente em seu primeiro ano eleitoral.

Nada contra o candidato presenteado por uma interpretação única dentre os Ministros do TSE, porém, sou todo a favor do respeito às decisões dos Tribunais Superiores e da aplicação da legalidade.

A lei da palmada...


Nas últimas semanas observa-se o enfoque da imprensa sobre a possível aprovação de uma lei que objetiva proíbir os pais de darem palmadas em seus filhos em qualquer situação. Esse ensaio legal de "sugestão" na forma de educação dos filhos tem causado grande debate e altercações entre pais, psicólogos e legalistas. Mas será que a medida legal terá eficácia?

O Projeto de Lei nº 2.654/03, de autoria da Deputada Federal do Rio Grande do Sul, Maria do Rosário, visa inserir os artigos 18-A, 18-B e 18-C na Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), assim como dar nova redação ao artigo 1.634 da Lei 10.406/02 (Código Civil), almejando-se com essas alterações estabelecer o direito da criança e do adolescente de não serem submetidos a qualquer forma de punição corporal, mediante a adoção de castigos moderados ou imoderados, sob a alegação de quaisquer propósitos, ainda que pedagógicos.

Segundo Maria do Rosário (http://www.mariadorosario.com.br/blog.php), "nossa legislação ainda trata a violência contra crianças de forma superficial", por isso, "esse projeto vem para atualizar os conceitos de acordo com os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, ampliando a proteção integral das crianças e adolescentes". Dando sequência, a deputada afirma que "[...] o projeto não tem caráter punitivo. A proposta dialoga com aspectos educativos, para debatermos uma sociedade que não se oriente pela violência em nenhum ambiente, em especial para com as crianças". Por fim, declara que "uma sociedade na qual a violência não seja natural começa com relações familiares mais positivas e respeitosas. É fundamental conversar".

É fácil de perceber que a legislação de um país deve garantir os direitos e deveres de seus jurisdicionados, bem como acompanhar os avanços sociais e inseri-los em seu conteúdo. Dessa forma, a legislação não pode ser omissa tampouco abster-se de seu papel regulador dentro de uma sociedade. Assim, a necessidade de proteção da criança e do adolescente é algo tão elementar em nosso ordenamento jurídico que a tutela de seus direitos está prevista na Constituição Federal, no Código Civil, no Código Penal e, mormente, no  Estatuto da Criança e do Adolescente.

Outro ponto que indiscutivelmente deve ser ressaltado é que as crianças de hoje são bem diferentes (fisico-intelecto-moralmente) das da geração passada, imagine a desproporção se comparadas as da geração de seus avós. Isso não quer dizer que elas deixaram de trazer as características infantis inerentes a esta fase humana, mas sinaliza que os métodos e praticas aplicados em nossa formação precisam de uma remodelação para que aconteça a adequação a atual conjuntura. Acredita-se que dentre as novas medidas  a serem inseridas na educação infantil a famosa palmadinha deve ser abolida, em qualquer situação, privilegiando-se a conversa e o diálogo entre pais e filhos.

Com base nas premissas que ensejaram Maria do Rosário a justificar o projeto de lei em comento, e, principalmente, por serem as palmadas medidas punitivas de praxe, "passadas de pai para filho", as quais, sem dissimulação, são praticadas por parte considerável dos responsáveis pela orientação das crianças, questiona-se: e os pais ou responsáveis das crianças, como devem proceder diante desse obstáculo legal? Estariam eles incorrendo em um crime caso dessem uma palmadinha em seus filhos? A palmadinha tem efeitos danosos à psicologia das crianças? Somente o diálogo seria ou é capaz de frear os ímpetos e comportamentos naturalmente desregrados das crianças? Muitos são os questionamentos...

A busca de reforço e, principalmente, pelo efetivo cumprimento dos direitos previstos das crianças e dos adolescentes ganhou nova e maior publicidade após a violência cometida por uma mulher que, visando adotar uma criança, porque não queria deixar o seu salário de quase R$ 20.000,00 para o Estado, aproveitou o período de adaptação concedido no processo de adoção para praticar atos capitulados de maus tratos. Fato é que, felizmente, apurou-se legalmente quem praticou os atos de violência contra a criança e em razão disso a mulher já responde pela condenação atrás das grades. A questão é que a predominância das ocorrências similares a citada não tem o desfecho positivo.

Acredita-se que a avidez por justiça, o anseio de combater um crime tão repudiante e a necessidade de se ver punidos os violentadores - em sua maioria compõem o universo familiar das crianças vitimadas - são os elementos ensejadores do projeto de lei da "não palmadinha".

Agora, o questionamento que não deixa de reverberizar é: os pais ou responsáveis, na busca de combater o ímpeto infantil ou, talvez, em situações que necessitem de uma postura mais firme e quando o diálogo não surtir efeito, serão considerados criminosos por repreenderem seus filhos ao efetuarem palmadinhas? É importante destacar que entende-se por palmada ou palmadinha como um ato totalmente diverso e desproporcional da violência ou maus tratos praticados por àqueles que têm a intenção de machucar.

Historicamente observa-se que na construção da educação dos filhos, no seio familiar e no campo social, sempre existiu a permissibilidade da agora condenada palmadinha. É certo afirmar, também, que muitos reprovam esse tipo de atitude e, por isso, nunca implantaram tal procedimento em suas vidas. Desta forma, nota-se que a reprovação social situa-se na abusividade aplicada ao ato de repreender por meio da palmada, o que, em diversos casos, acaba por culminar em maus tratos e, infelizmente, em tortura.

A iniciativa de reforço legal por meio do projeto de lei da "não palmadinha" é louvável - embora já haja no Ordenamento Jurídico a previsão e proteção das crianças e adolescentes contra os castigos corporais -, porém, vislumbro que poderá ocorrer diversas arbitrariedades e fatalidades contra pais/responsáveis.

É óbvio que o legislador parte do pressuposto de que toda criança/adolescente é inocente, indefesa, ingênua e, assim sendo, não seja capaz de praticar comportamentos comprometedores contra qualquer um. Entretanto, vê-se reiteradamente nos noticiários que adolescentes abusam da "prerrogativa" de serem menores de idade para praticar delitos... Em sendo assim, será que o legislador não vislumbra a hipótese de que pais/responsáveis possam ser acusados pelos próprios filhos por algo que não fizeram? Não seria dar poderes demais a um ser que está em desenvolvimento e que a sua educação é de responsabilidade daqueles que estariam sendo acusados? Os pais não poderiam ficar à mercê de denúncia perpetrada por desafetos que objetivam a sua desmoralização perante a sociedade?

É incontestável que no Brasil diariamente ocorrem maus tratos e agressões contra crianças e adolescentes, contudo, esses crimes não podem ser equiparados à palmadas ou palmadinhas dadas pelos pais/responsáveis, os quais, em seu íntimo, não apreciam a prática de tal medida coercitiva-educadora, mas percebem que é uma forma de repreensão eficaz quando o diálogo não surte efeito. Só quem é pai/responsável de uma criança sabe o quanto o cotidiano exige paciência e percebe-se que as crianças/adolescentes sabem muito bem como testá-la.

Pais são humanos e não querem errar na educação que promovem aos filhos. Dar uma palmadinha no próprio filho, intimamente, equipara-se a autoflagelo, imagina qual a sensação experimentada por eles se àquela ação for lhe atribuída a de um criminoso... De educador a deliquente... Bem desarrazoado quando a proposta é aumentar o diálogo entre pais e filhos e, sobretudo, quando o objetivo não é punir e sim educar.

Recordo-me de um filme que vi, mas que não me lembro o nome, que contava a estória de um psicólogo que tinha como principal bandeira o diálogo entre pais e filhos para a resolução dos conflitos. Ele, que era pai de um rapaz, escreveu um livro sobre a força de sua tese, iniciou viagens com intuito de divulgá-lo e aplicava seus princípios na relação que tinha com seu filho. Nesse ínterim, seu filho virou um assassino e a cena final do filme é o psicólogo/escritor queimando todos os exemplares de seus livros.

Será que teremos de ver esse final novamente?