22 de setembro de 2010

Pagamento por missas

Enquanto esperava a chegada de minha vez no consultório médico, detinha-me a observar o que o jornal de segunda-feira, dia 20/09/2010, trazia de boas informações. Em predominância notava que os assuntos relativos às eleições estavam por toda parte, porém, na seção destinada a opinião dos leitores, um artigo escrito por Célio Pezza, de título "Missas Pagas?!", chamou-me a atenção.

Depois de ler o referido artigo, questionei-me: em vez de "uma pequena contribuição" para ajudar nos custos de uma missão religiosa, por que não há gratuidade visando a congregação de seus adeptos? por que a necessidade de manter um patrimônio colossal, quando, pelos princípios cristãos, o adequado seria a partilha objetivando a assistência dos mais necessitados?

Nada contra as doações realizadas pelos religiosos à sua religião, até porque é uma ação espontânea e voluntária. Porém, é oportuno destacar que àqueles recursos, em essência, são repassados para que se ponha em prática projetos em prol daqueles que realmente precisam e não para acúmulo de riqueza. Os tempos mudaram e o verdadeiro religioso é quem trabalha mais na caridade do que na ostentação.

Abaixo segue a íntegra do texto, o qual, sem dúvida alguma, merece reflexão de todos que percebem a completa dissociação entre dinheiro e religiosidade. 

MISSAS PAGAS?! (Célio Pezza* - http://cpezza.com/wordpress/)

Neste mês de Setembro de 2010, entre os dias 16 e 19, o Papa Bento XVI vai estar na Grã-Bretanha, onde rezará algumas missas. Até aí, tudo bem. O que nos causou espanto foi o fato de que os fiéis terão que pagar para assistir as missas! Isto mesmo. A mais barata será uma missa campal realizada no Hyde Park (um parque ao ar livre de Londres) e o ingresso custará 5 libras (R$14,00). Em Glasgow na Escócia custará 20 libras (R$ 55,00) e a mais cara será em Birmingham, no centro da Inglaterra ao preço de 25 libras (R$ 70,00).

O Vaticano diz que é “uma simples contribuição para as despesas gerais” e quando foi questionado pelos próprios padres de inúmeros países, preferiu o silêncio.

É estranho, pois numa época em que a Igreja Católica perde mais e mais adeptos a cada ano, uma medida descabida destas fatalmente afastará ainda mais aqueles que pensarem sobre o assunto.

Esta medida descabida nos faz voltar aos primórdios da igreja católica, quando no ano de 593, o papa Gregório criou a doutrina do purgatório e criaram missas pagas para aliviar o sofrimento das almas que lá estavam. Por volta de 1.150 criaram as “indulgências” com o fim de reduzir o tempo no purgatório. Naquela época começaram a vender relíquias entre elas “pedacinhos da cruz de Cristo”. O dominicano João Tetzel ficou famoso por negociar documentos de indulgências da Igreja, alguns deles dando o direito antecipado de pecar. Em 1410 o papa João XXIII (não confundir com o papa João XXIII mais recente) cobrava impostos dos prostíbulos, os quais faziam parte do orçamento do Vaticano.

O papa Leão X continuou com as “indulgências” e em 1518 utilizou cofres nas igrejas com os dizeres absurdos tais como: “Ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma desprega do purgatório e voa para o paraíso”!

Quanto às finanças atuais, em Julho o Jornal do Vaticano divulgou algumas cifras referentes ao balanço de 2009:

Receitas de 2009 = 250 milhões de euros (R$ 570 milhões)

Despesas de 2009 = 254 milhões de euros (R$ 580milhões)

Receitas do Óbulo de São Pedro (donativos destinados ao papa) = 65 milhões de euros (R$ 150 milhões)

Receitas das dioceses = 25 milhões de euros (R$ 57 milhões)

Embora não se tenha o número certo, estima-se que o patrimônio da Santa Sé é acima de 15 bilhões de euros (35 bilhões de reais) entre investimentos em bancos, seguros, participações em empresas de produtos químicos, aço, construção civil, imóveis e obras de arte. Além destes investimentos, existem todas as terras por todo o mundo, das quais não temos os valores.

Estes números mostram que não seria necessário cobrar ingresso para as missas do Reino Unido e imagino que qualquer cristão, independente de ser ou não católico, irá questionar esta decisão.

A Igreja perde seus fiéis a cada ano e passa por uma forte crise moral, com recentes escândalos de pedofilia por todo o mundo e tendo que pagar pesadas indenizações e ações judiciais. Neste cenário conturbado imagino que a celebração de missas pelo papa seria um bom momento de ganhar adeptos e não de aumentar a distância entre os fiéis e a Igreja. Pagamos ingressos para shows, onde se remunera o artista, mas acho que não deveria ser o caso. Espero que, até o dia destas missas, uma luz ilumine os mandatários políticos da Santa Sé e cancelem o pagamento de ingressos, para o bem daqueles poucos que acreditam e gostariam de estar perto do papa durante uma missa e não tem dinheiro para pagar por este privilegio.

-----------------------------------
* Escritor, com formação em química e administração de empresas.

2 comentários:

Rafael -Ralcoh Comunicação disse...

Qual o jornal em que você viu o artigo do Célio amigo?

Pensamentos e realidades disse...

Estado do Maranhão