Retratar o conteúdo de um livro em breve espaço de tempo como ao destinado a um filme, normalmente é um desafio que alguns diretores cinematográficos não gostam de enfrentar. Todavia, sabe-se que o tamanho do risco é diretamente proporcional ao do êxito, e este é incontestável quando se fala em Nosso Lar, o filme.
Levando às telas dos cinemas a história do médico André Luiz, o qual, em vida, abusou do consumo de álcool, foi partidário da luxúria e era completamente descrente de qualquer continuidade de vida após a morte, o filme Nosso Lar retrata detidamente as bases da doutrina espírita, principalmente em relação aos princípios da causa e efeito e da reencarnação, deixando clara a responsabilidade que todo ser humano possui em seus atos quando encarnados e a incumbência que todos têm de buscar a contínua evolução espiritual/moral.
Embora alguns críticos profissionais ressaltem em seus artigos o investimento financeiro dispensado e o esmero técnico dos efeitos visuais que foram capazes de reproduzir o lar espiritual, é notório que o filme foi capaz de transmitir o que realmente é importante e merecedor de reflexão, sobretudo para todos aqueles que não são espíritas e, por curiosidade ou para aprender um pouco mais sobre a doutrina, vão assisti-lo.
Filmes com temas religiosos, em predominância, causam inúmeras críticas, as quais se estabelecem em razão da incompreensão e intolerância de credos. Deste modo, observa-se que Nosso Lar, ainda que tenha sido baseado em uma obra espírita, de modo algum faz distinção entre pessoas ou religiões em seu contexto, uma vez que o objetivo precípuo é a conscientização de que há vida pós-morte e que cada ser humano é responsável direto por sua evolução espiritual/moral.
Nosso Lar é o filme que ilustra a necessidade de mudança de comportamentos no cotidiano terrestre visando à evolução do lado espiritual. Aqui não se refere ao termo espiritual de forma restrita, até porque na essência a busca é de evolução moral. Religião e moral não são diretamente ligadas, mas uma moralidade avançada demonstra, no mínimo, uma espiritualidade trabalhada.
A reencarnação é real e natural para quem segue a doutrina espírita, contudo, quem assistiu ao filme e, por qualquer razão não compactua com a ideia de que haja possibilidade de existência do que foi retratado, sugiro a seguinte reflexão: caso exista a alternativa de vida pós-morte e, também, da possibilidade de responder pelos atos presentes em vidas futuras, será que eu estaria conduzindo a minha vida material em conformidade aos valores morais cristãos a ponto de ser digno de amparo espiritual?
Independente de sua resposta, creio que cedo ou tarde, algum "Nosso Lar" estará a aguardar a sua chegada.

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