Tropa de Elite 2 ilustra de forma impecável a realidade na segurança pública nacional, destacando os personagens que realmente impossibilitam a efetividade e a garantia de segurança pública à população.
Com uma temática bem diversa do primeiro filme, uma vez que os embates expostos em demasia no cotidiano dos policiais do BOPE foram suplantados e transferidos à esfera do planejamento da segurança pública, o Capitão Nascimento, que virou Coronel, ao ser elevado ao posto de Subsecretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, nas melhores das intenções, acaba por defrontar-se com um sistema de segurança gangrenado no qual os interesses interligados de políticos, policiais corruptos e milicianos são os que prevalecem.
O desfecho da história não contarei, até porque não quero frustrar as expectativas daqueles que ainda não assistiram ao filme. Porém, afirmo que a película trata de um assunto importantíssimo à sociedade, de forma direta e transparente, de modo que, aquela sensação de inexistência de fatos ou propaganda de que haveria uma superlativação dos acontecimentos, os quais são frequentemente difundidos pelos políticos, são bem mais reais do que se imagina e escancaram o tamanho da corrupção existente dentro da política e da polícia.
No contexto do filme, vi a denominação e a correlação dada a CPMF como algo interessante. Lembra da CPMF? Lembra de qual era o propósito de sua criação? Você viu algum investimento palpável na saúde pública? Então, a mesma terminologia dada à "contribuição temporária" que seria para auxiliar a saúde pública e acabou servindo de alimento à corrupção, no filme é dada para rotular uma Comissão destinada ao Policial Militar Filho da puta, isto é, comissão direcionada aos policiais corruptos que trabalhavam em favor de interesses próprios e, por consequência, na colheita de votos aos seus comparsas políticos.
Certo é que os tiros do primeiro filme foram sagazmente trocados por uma abordagem e ótica políticas, as quais, de certo modo, acredito que poderão instigar os eleitores a pensarem bem em quem votar, já que restou claro que quem acaba sendo o maior prejudicado é o cidadão, tanto por financiar uma corrupção colossal, quanto, no pior das vezes, pagando com a própria vida.
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