No meio da tarde, o céu começou a escurecer, as nuvens a serenar... Tínhamos duas opções: ficarmos enclausurados num apartamento ou buscarmos aproveitar o que aparentemente considera-se um fato adverso para viver mais um momento. Preferimos viver...
Num breve passeio à beira mar, saindo da clausura sufocante, observando as ondas quebrando numa desordem sugestiva, curtindo aquele clima indolente, decidimos viver. Resolvemos sentir e aproveitar, simultaneamente, as gotas d’água que caiam das nuvens e a água morna que o mar em plena renovação nos ofertava. Momentos registrados em nossas memórias. Como foi bom viver... Viver exige-nos improviso...
A noite se fez presente e, para rebatermos a altura a aprazível friagem que nos acolhia, nada melhor do que um bom vinho e um violão. Essa combinação... Huuuum! Nos induziu a lembrar Tom Jobim, Lobão, Marisa Monte, Lulu Santos, Vanessa da Mata, Caetano Veloso, Papas da Língua, Banda Mel, Daniela Mercury, Chiclete com Banana... Até que o cansaço chegou, o violão foi deixado de lado e Norah Jones apresentou-se e tornou-se a estrela da noite. Desde então percebemos que a junção do vinho e da música nos mostrou o quanto foi bom ter optado viver e sentir os prazeres inusitados dessa escolha. Viver exige-nos inovar...
O alvorecer foi surpreendente. Quando se opta viver, as respostas sobre determinados assuntos que nos desnorteiam chegam de qualquer direção e sem anunciar. Acessei a net para olhar as novidades no e-mail e defrontei-me com um “texto-tapa” chamado “Amor e liberdade”. Nele encontrei um conteúdo suficiente para delinear respostas às perguntas que me fazia... Viver, também, é ser surpreendido... Só mesmo um café da manhã farto e ofertado com carinho poderia acalentar essa surpresa não positiva. Viver exige-nos parceria...
Viver exige-nos alimentação... Em busca de alimentar a matéria chegamos à conclusão de que há um ambiente alternativo e gostoso quando não se tem muito no bolso... rsrsrs! Que tal um filminho pra relaxar? A proposta foi tão assertiva que acabei caindo no sono. Ao acordar, o alimento que fomos em busca foi outro: o espiritual. Fomos tão gulosos que repetimos o prato... Nada melhor do que terminar um fim de semana alimentando o espírito pelo magnetismo fluídico de uma bela palestra e pelo ouvido, apreciando as execuções de belas obras clássicas e populares interpretadas por um grande pianista. Viver exige-nos sabedoria, sensibilidade...
Poderíamos ter optado em fazer as mesmas coisas de sempre... Isso não quer dizer que não estaríamos vivendo, mas quando se escolhe viver, as coisas inusitadas que acabam nos fortificando, mostram-nos o quanto viver exige-nos vontade de fazer o imprevisível. Preferimos viver...
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