Acredito que ainda fará um ano de existência desse elo, contudo, desde o primeito contato, já sentia que essa ligação seria diferente. O texto abaixo foi concebido por minha amiga Karla Jandyra e, após permissão, posto para a apreciação e reflexão daqueles que interessarem. Tomei a liberdade de apenas dar o título, pois entendo que todos nós já tivemos UM DIA CHAMADO HOJE.
Qual o objetivo de expor um texto-desabafo? Passamos por fases no decurso de nossa vida. Por vezes acreditamos que não sairemos incólumes dos infortúnios colocados à nossa frente; estes, sempre tem o intento de tornarmo-nos mais evoluídos e fortes, por isso, deduzo que assim como aconteceu com a autora poderá ter acontecido ou estar acontecendo com muitos. Boa leitura e reflexão aberta.
SLZ/MA, 06 de Novembro de 2007.
Junior Lopes
*********************************************************
As decisões mais difíceis de serem tomadas, são também as mais óbvias. Por que tem que ser assim?
É difícil abrir mão do sofrimento. Acho que a gente se põe a pensar que também aquele sofrimento nos pertence, já nos sentimos proprietários dele e não nos permitimos abrir mão de algo que é tão pessoal, tão nosso, mesmo que esse algo seja a razão das nossas lágrimas e angústias.
Sabe quando estamos com uma unha encravada? Pois é, geralmente não queremos tocá-la, ela está lá doendo, sabemos que o motivo da dor é aquela unha, mas não aceitamos tirá-la dali; só depois de muito sofrer, resolvemos que ela deve sair e geralmente quando resolvemos isso, abrir mão dessa dor, ela causará uma outra dor, muito maior, porém momentânea, porque a dor da perda da unha vai passar, como tudo na vida passa. Quem dera nossos maiores sofrimentos e as maiores decisões fossem apenas como uma unha encravada... É certo que a analogia é pobre, mas também é válida.
Hoje acordei a pessoa mais chata do mundo. Sabe aqueles dias que não deviam acontecer? Então, hoje não quero tomar decisão nenhuma, porque as conseqüências podem ser eternas.
Hoje aconteceu de tudo um pouco, ou muito de quase tudo. Ouvi coisas que eu não queria. Não diria que briguei, mas fiquei chateada com uma das pessoas que mais amo desde que me entendo por gente e o pior: não foi e não será uma chateação momentânea. Creio que quando estamos com raiva dizemos coisas que não queremos, mas não foi um momento de raiva, nem de briga, foi mais parecido com aqueles momentos de falar francamente, e é isso que me dói. Sei que as palavras não foram ditas em conseqüência da raiva, pois não havia raiva naquele momento, foi a mais pura sinceridade, e essas poucas e dolorosas palavras causaram um abalo meteórico em meu coração.
Sabe aqueles defeitos que todo mundo tem? Sabe aquelas coisas que você acha das pessoas, mas não tem coragem de dizê-las? Sabe o que é gostar muito de alguém e saber que essa pessoa gosta tanto ou mais de você, mas ainda assim te diz que você é uma das pessoas mais cruéis que existe? Te chama de pessimista (uma das palavras que mais abomino na vida), diz que você só deseja o mal dos outros e o que é pior: você tem que ouvir tudo, calar e aceitar. É a opinião dela, você nada pode fazer.
Hoje foi um dia incomum, creio que foi o meu pior dia do ano. Foi dia de ouvir o que os outros pensam de mim; só as coisas ruins, claro, porque hoje nem meu cachorro deu muita bola para mim. Ia sair com meu namorado, mas ele acordou com o dente doendo por causa de uma restauração que caiu, e ainda pediu que eu não ficasse chateada. Que é isso! Por que eu iria ficar chateada? Meu dia estava arruinado mesmo. Ia jogar boliche com uns amigos, mas fiquei pensando: do jeito que eu estou, sou bem capaz de deixar a bola cair sobre os meus pés, ou de escorregar e quebrar a perna, melhor não ir e optar por uma programação mais light que não estragasse de vez o meu dia (eu ainda tinha esperanças de salvá-lo). Bom, minha única saída foi encontrar alguém que está sempre sorrindo, sempre fazendo sorrir, sempre de bom humor; talvez eu conseguisse pelo menos forçar um sorriso e consegui! Fui ver uma prima-sobrinha que é a coisa mais fofa desse mundo e ainda não fala. Graças a Deus, senão era bem capaz de me chamar de bruxa e me fazer sentir ainda pior. Pena que a visita foi breve, mas é melhor um pouco de alegria que coisa alguma.
Toda essa confusão de hoje me fez pensar: sou mesmo um monstro cruel e impiedoso que não deixa escapar uma oportunidade para ressaltar com lentes de aumento todos os defeitos das pessoas que vivem ao meu redor e que amo? Não me julgo dessa forma. Tenho milhares de defeitos, mas ser cruel... Creio que não seja um deles.
Sou sim melancólica, qualquer coisa me abala, sou uma pessoa que tenta ser alegre e sorrir, e talvez consiga, mas ao menor sinal de chuva já estou assolada naquela melancolia barata de criar poeminhas de quinta categoria. Hoje em dia quem é que lê poesia? Creio que nem eu que os escrevo.
Resolvi passar o dia pensando, sem nada falar, sem emitir opinião a respeito de coisa alguma, pois creio que isso signifique que sou otimista – ou não. Confesso que tenho o péssimo hábito de querer que as coisas aconteçam conforme eu imagino que seja o correto. Odeio que as coisas saiam da linha que tracei. Gosto de objetivos bem definidos. Sigo à risca os passos para o bom desempenho de qualquer atividade e, quando não acontece conforme espero, fico realmente brava, angustiada talvez.
Com certeza já feri muita gente dizendo o que penso – tenho a mania de querer ser mãe de todo mundo e quero que as pessoas tenham a mesma opinião que eu – e fico ferida quando percebo que as pessoas pensam de forma diferente; mas, daí a ser cruel e pessimista, já são outros quinhentos...
Hoje eu não fiz nada direito, não guardei minhas roupas, não dei banho no meu cachorro, não fiz depilação, não vi meu namorado, não conversei com a minha irmã, não estudei, não vi filme, não sorri, não brinquei, não fui passear com meus amigos... Mas hoje eu chorei. Senti uma dor profunda. Eu senti que eu não tenho ninguém, que eu não posso ter tudo do meu jeito. Hoje aprendi muita coisa. Aprendi da forma mais difícil e mais cruel que se pode aprender. Hoje eu tive dor de cabeça, daquelas bem fortes. Eu quis morrer, mas preferi viver.
Hoje está sendo o dia mais difícil que já tive, porque perdi algo dentro de mim que sei que nunca vou recuperar: perdi minha identidade. Já não sei quem sou, ou o que represento para as pessoas. Não sei porquê para algumas pessoas eu acho que faço bem, se para outras eu faço tão mal. Eu não sou atriz, não estou representando, eu não penso antes de agir, talvez eu peque por isso. Quem pensa e depois faz, acaba não fazendo, não dizendo o q sente, acaba não vivendo e eu já nem sei o que prefiro, não sei se posso continuar sendo como sempre fui ou se terei de mudar para satisfazer o mundo, não sei o que significo para mim mesma, sei que sofro com minhas escolhas, que nem sempre escolho o caminho acertado, mas eu vou seguindo em frente, esperando que um dia eu alcance o entendimento, que um dia eu represente algo muito forte para alguém, porque eu cansei dessa vida de dores, eu preciso viver minha vida inteira novamente, preciso rever minhas falhas e tentar corrigi-las, preciso acertar alguma coisa, há algo errado e agora estou certa de que é em mim.
Eu não sou uma pessoa boa, embora eu mesma acreditasse que sim. Devo ser alguém muito cruel, alguém que eu desconheço. Devo estar ficando louca, ou finalmente esteja sã, que a minha loucura me faça feliz e que a insanidade me torne sensata. Eu só quero ser alguém normal, nem pior, nem melhor que ninguém. Quero ser alguém comum, ter uma casa, um cachorro, dois filhos para criar, ter um trabalho que me proporcione entusiasmo e ter alguém para amar. Preciso me sentir amada, preciso receber carinho, preciso me sentir bem, preciso pedir um tempo para mim. Queria que existisse a tecla pause e o mundo inteiro parasse e só eu continuasse em play e, então, quando eu já tivesse recuperado a força e a energia de viver, o mundo continuasse a andar e eu encontrasse o meu lugar no mundo. Mas hoje o que eu penso é que, definitivamente, não sou desse mundo. Nasci em uma época errada, em um lugar errado, minhas atitudes me condenam, eu me condeno, mas quero obter absolvição dos meus pecados, eu preciso disso...
Amanhã quero acordar e achar que tudo isso foi um sonho. Quero ver minha vida retomando o seu curso, quero fazer novos amigos, quero me sentir amada por alguém, quero uma lambida do meu cachorro e quero ter a certeza de que eu posso ser uma pessoa melhor, mas só amanhã... Hoje não me perturbe mais, preciso dormir em paz!
**********************************************
Nenhum comentário:
Postar um comentário