17 de agosto de 2006


Durante uma ligação ela diz: "Sofri muito... Você não sabe o quanto me transformei após passar por duras penas em meus relacionamentos anteriores... Estes me transformaram no que sou hoje. Me sinto fechada, zangada, inexpressiva... Totalmente diferente daquela mulher que eu era".

Do outro lado ele ouve toda a exposição e, observando o intenso elo que ela ainda mantém com seu passado, tenta amenizar: "As dificuldades sempre aparecem para nos testar e nos tornar pessoas melhores. Devemos aprender, mesmo sabendo que a dor é horrível, a lidar com as situações que surgem e buscar o lado positivo. Se no passado as pessoas não foram capazes de valorizar o que era e, inconcientemente você conseguiu ser aquilo que eles pretendiam, faça renascer a mulher que hoje está dominada e outrora era feliz".

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Esses tipos de diálogos acontecem habitualmente... É visível a fragilidade das pessoas (não excluo ninguém) no âmbito sentimental. O que deveria ser um ciclo intenso e gostoso de ser vivido pelos seres ao se apaixonarem (deveria ser a regra para início de uma relação) acaba sendo destruidor e penoso para aqueles que utilizam esse ciclo com o único fim de seu bel prazer.
Egoísmo? Talvez, mas interpreto o sofrimento que as pessoas se permitem sentir em ciclos amorosos como uma questão de falta de observância para si próprio. Vejo que muitas pessoas não se conhecem, não sabem o querem ao juntar-se com alguém, deixam as coisas acontecerem sem antes observar tudo em sua volta, sobretudo, o que a pessoa ao seu lado tem para oferecer.
Gosto de falar sobre sentimento, pois sinto-me bem desvendando, por vezes, o misterioso universo do sentir. Contudo, não consigo me sentir tranquilo ao observar a anulação de um ser para satisfazer a vontade do outro. Em relacionamentos devem existir sim concessão, mas essa ação é totalmente diversa de anulação.
Convivência é troca, busca de entendimento, aperfeiçoamento mútuo, compreensão ao extremo... Jamais uma situação que permita a anulação até de personalidade de um ser. Até a próxima!

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