18 de agosto de 2006

GOSTO SE DISCUTE? SIM, MAS NADA MELHOR DO QUE RESPEITAR AS DIVERGÊNCIAS.

Os meus gostos musicais fogem à normalidade daquilo que alguns lêem de mim. Já ouvi cada comentário tipo: "você é inteligente!", "seus óculos dão um ar de intelectual!", "você é um dicionário ambulante"... Mas, questiono-me: como uma pessoa teoricamente "culta" aos olhos dos outros pode não saber uma letra ou melodia do Chico Buarque, por exemplo, ícone e referência da MPB? Entendo que essa resposta está mais ligada a preferência de ritmo do que literalmente a qualidade de compositor. Como assim? Vou explicar...
Amo música de verdade. Esse amor é tamanho que me sinto um músico frustrado por não ter conseguido atingir o que objetivava quando me considerava um artista. Contudo, sigo ouvindo os mais diversos tipos musicais com o intento de observar inovações, algo peculiar de artistas. Desde cedo ouço mestre Lua (Luiz Gonzaga). Fazíamos viagens semestrais à Fortaleza e só tocava esse grande artista no carro. Fui crescendo ouvindo o ritmo contagiante do forró (coisa de cearense mesmo) associado àquela linguagem simples, matuta, retratando fidedignamente o que o sertanejo nordestino passa de alegria e, sobretudo, de sofrimento. O primeiro contato musical não poderia ter sido um dos melhores.
Passados alguns anos aprendi a tocar violão; hoje é uma paixão que sempre procuro em momentos que exigem reflexão. Começei tentando imitar a banda que fazia mais sucesso na época: Raça Negra. Pagode? Isso mesmo. Adorova tocar e cantar aquelas músicas que falavam de amor. Aliás, adoro cantar músicas que sejam capazes de transmitir o amor; desde o mais discreto até o mais depravado. Fazer o quê né? Pois bem, me sentia "o artista" quando um grupo de amigos formava-se para que eu ficasse cantando e tocando. Sabe como é músico iniciante né? Quer mostrar pra todos que já está "tocando muito". Assim fui seguindo no mundo musical.
À medida que o tempo foi passando fui conquistando um espaço nesse universo fascinante. Formei um grupo de pagode, toquei na noite, em festas particulares... Entretanto, tive que abandonar esse barco vascilante (mas muito prazeroso) e partir para uma ilha segura. Deixei muitas coisas lá, mas outras ainda existem dentro de mim.
Músico jamais deixa de ser músico, isso é fato! A criticidade é algo peculiar de quem entende de música. Mesmo aquele que não tem tanta experiência é capaz de identificar acordes equivocados, compassos que estão descompassados e "falcetes" inesperados. Acho que estou misturando as coisas... Vou voltar a escrever sobre o que me propus.
Escrevo esse texto por observar PRECONCEITO de algumas pessoas (geralmente aquelas que tem uma gosto preferencial por um gênero musical e acabam descartando todos os outros restantes) quanto a gostos populares. Sempre me questionei o seguinte: MPB significa Música Popular Brasileira não é? Então, por esse raciocínio, qualquer gênero musical que seja peculiar do brasil deveria ser considerado como MPB ou estou errado? Entendo dessa forma, mas muitos dizem que gostam de MPB (para mim, alguns dizem isso por uma questão de "status") para se dizerem cultas, entendidas, que apreciam uma boa música... Não posso negar que grande parte das músicas taxadas como MPB têm uma qualidade diferenciada tanto na letra quanto na melodia, mas o pagode, o forró, o brega, o chorinho cantado... Enfim, todos os outros ritmos têm seus admiradores e faço parte da parcela que curte tudo, menos rock pesado, tipo aqueles que somos incapazes de distinguir um acorde ou palavra. Preconceito? Não, é uma questão de não conseguir identificar mesmo.
Traduzir o prazer que a música me traz é algo que somente as pessoas que já me viram tocando são capazes de definir. Tenho ciência de que me transformo ao tocar, ao cantar, ao ouvir e ao dançar uma música. Ultimamente meu estilo preferido é o forró e sei que este não é tão querido por todos. Sei que alguma de suas letras têm sentido dúbio, falam de traição, sofrimento, amor não correspondido, mas o RITMO é contagiante e isso é que busco ao ouvir um forró.
Cada um com seu gosto, porém o respeito é fundamental.

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