RECEIO DE SER FELIZ? FOI SIM.
Estava sentado à beira da praia, sentindo e curtindo o vento bater em meu rosto, observando e analisando as belezas do mar, quando deparei-me com o receio de se entregar a alguém misturado aos raios poentes do astro rei involuntariamente refletidos na vasta área marítima. Sem nexo? Sim, pois pôr-do-sol combina com amor, paixão, entrega... Naquele momento, o receio de dá uma chance à felicidade deveria passar a milhões de quilômetros, já que os casais enamorados que me circundavam ratificavam o quanto é bom estar amando. E eu lá, sozinho, pensativo e procurando possíveis razões para obstar algo que florecia naturalmente. Tolo!
Assemelhado ao "rabo de arraia" de um capoeirista, peguei uma rasteira surpreendente que não tive tempo de pular para me esquivar de tal sentimento. Mesmo sentindo-me preparado e na defesa, fui surpreendido pela frente com uma "baianada" jamais vista em tatames de jiu jitsu. Ao chão, recobrei a memória, reestruturei-me e "fechei a guarda" na esperança de reverter a situação. No entanto, a exímia técnica difundida pela adversária, embasada na paciência, compreensão e carinho, culminou numa "chave de braço" perfeita que foi capaz de abrir portas que pretendiam ficar fechadas por um bom tempo
Ainda que estivesse procurando razões plausíveis para justificar o natural, todas as justicafivas tornavam-se evasivas naquele momento. Não adiantava remar contra a correnteza. Tinha mesmo era que deixar me levar, pois a direção indicava a um bom caminho. Era visível a incapacidade de reabilitação. Na verdade parecia que estava buscando ficar desabilitado ao passo que mais uma vez a Providência Divina me enviava as técnicas, os aparelhos e os medicamentos necessários para sarar o meu mal.
Meio abstrato, meio óbvio, meio desconexo, meio ilógico... Sim, é assim mesmo que caminho atualmente. Não corro em direção contrária do vento, ainda que seja refrescante e prazeroso. Melhor é estar a favor dele, gozando de sua leveza e expansão. O receio da felicidade é natural e torna-se autodefesa naqueles que têm muito a dar e, devido aos equívocos e contratempos de outrora, perderam a credibilidade na comunhão. Bom mesmo é quando surge alguém descompromissadamente e da forma mais natural possível para nos mostrar que o passado só deve está no presente quando for positivo e cooperador para um futuro melhor.
Receio de ser feliz sim, mas Deus sabe muito bem a hora de tudo nos dar e de tudo nos retirar.
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