O assunto do momento, pelo menos para os jornalistas, - o qual acaba sendo compartilhada compulsoriamente com àqueles que gostam de se manter informados - é a maneira como Dunga vem se comportando nas entrevistas coletivas obrigatórias na Copa do Mundo da África do Sul.
Antes de qualquer coisa, a pretensão deste texto não é fazer avaliação de condutas de A ou B, no entanto, é impossível escrever sobre uma assunto polêmico sem que não exista um mínimo de parcialidade com alguma das partes envolvidas. Neste caso, acredito que as partes precisam de burilamento.
Sobre a entrevista polêmica, penso que motivos devem existir para que Dunga venha tendo a postura ríspida e muito pouco amigável para com os jornalistas que cobrem os passos da seleção brasileira. Percebo que essa desarmonia não é de agora, vem desde as eliminatórias da Copa do Mundo, esquentou com a lista de convocados não unânime e ferveu quando, sentindo o alívio de uma apresentação convicente, Dunga resolveu revidar os cometários reprovadores do pretérito de alguns jornalistas.
É notório que parte significativa de jornalistas não tem o respeito, a ética e a previsão - pelo menos é o que parece - do quanto as suas declarações causam impacto nas pessoas que absorvem informação. Vê-se em diversas reportagens, "furos de reportagens" ou exclusivas que os jornalistas, gozando da liberdade de expressão tão mal interpretada por eles, acusam, condenam, polemizam, distorcem fatos, torturam psicologicamente sem qualquer zelo ou cautela todos aqueles que "estão sendo a notícia". O grande paradoxo é que para a retratação não é dada a devida veiculação que foi proporcionada à notícia.
O que se nota é que Dunga, sabendo do poder da imprensa, busca utilizá-la como próprio instrumento e armamento para as manifestações positiva de seu trabalho, usufruindo do espaço obrigatório das entrevistas para replicar incisivamente os jornalistas que antes o criticavam e agora "o tem que engolir". Todavia, sua estratégia aparentemente escapou de seu domínio na última entrevista, pois agiu dasarrazoada e deselegantemente com um repórter, proferindo, supostamente, palavras de baixo calão e ignorando a presença de milhões de pessoas que o assistiam.
Saber ao certo o que levou o técnico da seleção interpretar que o repórter Escobar estaria ironizando o que estava falando naquele momento só o próprio Dunga seria capaz de explicar, mas, independentemente da falta de educação do repórter em falar ao celular durante uma entrevista coletiva, não é justificável e recomendável que o técnico da maior e melhor seleção do mundo tenha uma postura desabonadora com a imprensa internacional e com os torcedores brasileiros, que, inegavelmente, ele ali representa.
Avalio nesse acontecimento que a imprensa está provando o gosto amargo que fez e faz sentir algumas de suas notícias. É certo que ninguém deve retribuir o mal com o mal, mas agir com inteligência é fundamental quando não se tem o poder manipulador nas mãos, o que é o caso de Dunga. Talvez a não concessão de entrevistas exclusivas, tanto da comissão técnica quanto de jogadores, seja um dos fatos motivadores dessa "guerra" entre repórteres da Globo e o técnico da seleção, contudo, é válido lembrar que entre os interesses capitalistas e pessoais de ambos, há algo maior: a imagem do país perante o mundo.
De certo, provar do próprio veneno não deve estar sendo fácil à imprensa, porém, ao mesmo tempo, não é razoável boicotá-la proferindo palavras que venham a denegrir não só a imagem de um jogador reconhecido mundialmente, mais toda uma população que acredita na vitória de sua seleção.

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